E A REDE GLOBO PEDE ÁGUA NA DISPUTA DAS TRANSMISSÕES DE FUTEBOL…

26 02 2011

É, meus amigos… e parece que a Rede Bobo tá pedindo água na disputa das transmissões dos jogos de futebol… pra quem não sabe, a Record entrou na briga de vez, causando um rebuliço no sistema viciado e querendo competir naquilo que a Rede Bobo mais ama: a grana. E parece que dessa vez ela não vai ter bala pra competir.

Com tudo isso, o Clube dos 13 rachou, uns apóiam o velho sistema, outros não, enfim, o fato é que vários interesses estão rolando e na minha opinião esse rebuliço é necessário e essencial.

O que me chama a atenção é como esse domínio da Globo se arrastou por tanto tempo, como uma questão tão óbvia no que diz respeito a monopólio de mercado, a prioridades guardadas por baixo do pano, maracutaias e conchavos políticos, como isso mudou tão pouco até agora. Esse é o Brasil (até agora).

Que o futebol “globalizado” está 99% mercantilista, isso não se discute… que a Tv no Brasil, apesar de sua “concessão pública”, prevista inclusive em constituição, só pensa em lucros e dividendos e não tá nem aí pro povo, é outra coisa que não se discute… mas, será que não se discute?? Porque sei lá, lendo o comunicado da Rede Bobo a respeito do episódio, não é isso que parece, leia esse trecho:

Assim é, em respeito ao interesse do público, que a Rede Globo se sente impedida de participar desta licitação e pretende manter diálogo com cada um dos clubes para chegarmos a um formato para a disputa pelos direitos de transmissão que privilegie a parte mais importante desse evento: o torcedor”.

Eu fico realmente bobo de ler algo assim. Será que alguém ainda acredita nisso?? Acredita que a Rede Bobo está preocupada com o torcedor??? Será que ainda tem gente acreditando que ela é boazinha e se preocupa com o “bem público”?? Será que levam a sério o slogan “Um caso de amor com vc, um caso de amor com o Brasil…”??? É de chorar…

E mesmo com tudo isso, com a Globo dizendo que vai desistir do osso, ainda custo a acreditar… por enquanto vou só observando e torcendo pra que essa antiga ladainha se desfaça.

Logo abaixo disponibilizo um comunicado do site da Globo.com (http://globoesporte.globo.com), onde a Rede Bobo jura que ama o torcedor e que preza por valores, éticas e blá-blá-blá… só não sei porque até agora não se preocuparam… como estão vendo que estão perdendo o osso, querem se fazer de beatos e assim tentar levar o povão pro seu lado, sei lá. Isso só tem um nome: H-I-P-O-C-R-I-S-I-A. E da pesada.

E logo após o texto, disponibilizo o documentário “Fut-Mídia S/A”, lançado em 2005, o qual fui diretor, e que aborda dois blocos com os conhecidos jornalistas e comentaristas futebolísticos falando sobre o monopólio da Globo no futebol e a questão do horário dos jogos… vale a pena assistir.

**Esse trecho do doc acontece no seguinte timecode: 24min55seg – Mas se vc ainda não assistiu o documentário na íntegra, não vacile, assista que vale a pena.

CarlosCarlos Bola & Arte

Primeiro o texto da Globo, segue:

25/02/2011 20h03 – Atualizado em 25/02/2011 22h01

Rede Globo está fora da licitação de direitos de transmissão do Brasileiro

Em nota oficial, empresa diz que condições impostas são incompatíveis para o modelo de TV aberta e pretende dialogar com os clubes

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro

A Rede Globo anunciou, de forma oficial, que não participará da licitação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol dos anos de 2012, 2013 e 2014. O comunicado, emitido na noite desta sexta-feira, também diz que a empresa pretende dialogar com os clubes para chegar a um formato de disputa pelos direitos de transmissão.

De acordo com a nota, a Rede Globo acredita que o modelo proposto na carta-convite enviada pelo Clube dos 13 inviabiliza ‘qualquer perspectiva de um retorno compatível com os investimentos na compra dos direitos’.

Além da Globo, o Clube dos 13 também convidou Bandeirantes, Record, SBT e RedeTV a tomarem parte da licitação. A carta-convite com as condições da licitação foi enviada na quinta-feira, dia 24 de fevereiro.

Leia, abaixo, o comunicado da Rede Globo na íntegra.

Os dirigentes efetivamente preocupados com os legítimos interesses dos seus clubes e, acima de tudo, os torcedores são testemunhas dos volumosos investimentos que a Rede Globo tem feito ao longo desses anos, numa parceria pelo aprimoramento do nosso futebol, na busca de um espetáculo emocionante, com profissionalismo e qualidade.

Essa contribuição tem se traduzido no crescimento das receitas dos clubes, não só através das receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão, bem como com a comercialização de outros direitos, incluindo propaganda nos uniformes e publicidade nos estádios.

As exigências e modificações nos conteúdos das plataformas implicam na desestruturação de um produto complexo, que foi construído ao longo dos últimos 13 anos, inviabilizando assim qualquer perspectiva de um retorno compatível com os investimentos na compra dos direitos.

As condições impostas na carta-convite não se coadunam com nossos formatos de conteúdo e de comercialização, que se baseiam exclusivamente em audiência e na receita publicitária, sendo incompatíveis com a vocação da televisão aberta que, por ser abrangente e gratuita, é a principal fonte de informação e entretenimento para a maioria dos brasileiros.

Assim é, em respeito ao interesse do público, que a Rede Globo se sente impedida de participar desta licitação e pretende manter diálogo com cada um dos clubes para chegarmos a um formato para a disputa pelos direitos de transmissão que privilegie a parte mais importante desse evento: o torcedor.

Agora assista ao doc “Fut-Mídia S/A”:

E vc?? Qual a sua opinião em meio a esse imbróglio todo???





A REDE GLOBO E SUAS MENTIRAS HISTÓRICAS DESEMBOCAM NO FUTEBOL

24 02 2011

Que a Rede Globo de televisão é um câncer maligno para a sociedade brasileira, isso eu nunca tive dúvida… e como todo bom “diabo”, ela sempre fez pose de santinha com uma estratégia muito bem pensada de como fazer o povo acreditar que ela de fato os ama. Isso pra mim é antigo, antigo demais… vem lá dos tempos da ditadura, coincidentemente época que esse rede de televisão, nasceu, financiada pelos Estados Unidos e sob o aval dos militares…

É interessantíssimo acompanhar esse embate pelo direito das transmissões do futebol: de um lado a Record, querendo chegar junto e minar o seu adversário… e do outro a Globo, fazendo de conta que vai largar o osso e que tá tudo bem. Não que ela tenha que largar o osso, mas venho lendo muitas coisas na internet que reforçam todo a sua mesquinhez: ela está causando um racha no “Clube dos 13″, organização que tem como membros os 13 maiores clubes do Brasil, ou seja, ela não mede esforços para manter o seu poder, tanto de influência quanto financeiro, quem passar na frente pode ser aniquilado, essa é a regra.

O texto que eu disponibilizo a seguir foi extraído do Blog do Miro (altamiroborges.blogspot.com), que por sua vez o extraiu do blog DoLaDoDeLá , de Marco Aurélio Mello.

No texto Marco discorre sobre o fato da Globo estar se fazendo de mosca morta, quando na real tem várias estratégias para passar a perna em seus adversários… POR FAVOR TIREMOS O PODER DA GLOBO DO BRASIL!!!! Ela ainda vai pagar por todo o mal que fez e faz ao povo brasileiro.

CarlosCarlos Bola & Arte

Segue texto:

O que há por trás da negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nas temporadas de 2012 a 2014 é muito mais do que uma disputa de dois grupos de comunicação por público e receita. Em jogo está uma mudança de paradigma na televisão brasileira. Assim, tenho minhas dúvidas se a Rede Globo não vai mesmo participar da disputa.

Quando comecei a trabalhar lá, nos anos 90 do século passado, era corrente a história de que o esporte pagava sozinho todos os salários do departamento de jornalismo. Ainda que não seja mais assim, é significativo, não só o faturamento em si, mas o esporte como estratégia para alavancar e organizar a grade de programação.

A Rede Record, num lance ousado, ofereceu a possibilidade de alterar o horário da rodada de meio de semana para 20h, o que para o torcedor é o melhor dos mundos. E no horário nobre, uma revolução. Já imaginou um jogo do Flamengo, no Rio, do Corinthias, em São Paulo e de outros grandes em seus estados com transmissões regionais, ao vivo, cedo assim? Na quarta e quinta-feiras, por exemplo, das oito às dez da noite? O que faria a emissora líder? Alteraria o horário do Jornal Nacional? Faria a novela das nove começar às dez da noite? Claro que não.

Mas uma emissora como a Record, por exemplo, pode fazer ajustes mais facilmente. Levar os jornais regionais, por exemplo, para a espera do jogo. E fazer o chamado “esquenta”, com giros de repórteres. Consolidaria sua audiência, formaria equipes para os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo e atrapalharia significativamente a concorrência. Em vez de show de intervalo, por exemplo, um Jornal de Rede de quinze minutos de duração, com pílulas das principais notícias do dia e chamada para um telejornal completo às dez da noite, antes da novela da própria emissora?

Isso, ao longo do tempo, certamente mudaria hábitos e permitiria outras alterações na programação em benefício do próprio telespectador. A regionalização também aumentaria a receita dos clubes pequenos e fomentaria um mercado de trabalho estrangulado pelo monopólio atual. Por tudo isso, não tenho dúvida, eles não largarão o osso tão facilmente. Vão sim para o tudo ou nada! Para o bem de todos, espero que percam.





GLOBO X RECORD – MONOPÓLIO EM QUEDA???

7 02 2011

Reproduzo artigo do Blog do Miro (http://altamiroborges.blogspot.com), escrito pelo próprio Miro.

Surge nas transmissões de futebol, essa mina de grana, a possibilidade de quebra de mais um monopólio que a Rede Globo exerce no país… e que o gigante caia de vez!!!

 

Futebol acirra disputa Globo X Record

Por Altamiro Borges

Uma das maiores minas de ouro da televisão, o Campeonato Brasileiro de Futebol, está sendo palco de uma encarniçada disputa entre as principais emissoras do país. A TV Globo, que faz fortuna com a “preferência” na transmissão, corre sério risco de perder a monopólio que mantém desde os tempos sombrios da ditadura militar. A TV Record, sua principal concorrente, lidera um grupo de emissoras que se insurgiu contra este privilégio. A decisão sobre esta guerra fratricida deve sair nas próximas semanas.

Mudanças das regras no Cade

As redes de televisão têm cerca de 20 dias para entregar as propostas oficiais de exibição dos campeonatos de 2012 e 2013 para o Clube dos 13, que reúne os principais times de futebol do país. De acordo com as regras fixadas em agosto de 2010 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Globo perdeu a “preferência” no direito de transmissão do torneio. Agora, todas as emissoras podem concorrer em pé de igualdade, embora nem todas tenham os recursos necessários para bancar tal empreitada.

As novas regras dividiram os cartolas do Clube dos 13. Alguns times defendem uma fórmula mais lucrativa de transmissão dos jogos, com a quebra do monopólio. Outros temem que o fim da exclusividade reduza o número de anunciantes e dos recursos em publicidade, e resulte em perda de audiência. A pressão da TV Globo para manter seu privilégio tem sido brutal, o que levou a Record, que também disputava a exclusividade, a propor que todos os canais se unam e comprem os direitos em conjunto.

A ousadia da TV Record

A transmissão ficaria a critério de cada emissora participante do “pacote”, assim como poderia ser alterado o horário das partidas – hoje submetido à ditadura da Globo, que penaliza os amantes do futebol. Segundo boatos, a famiglia Marinho está desesperada com a possibilidade de união das concorrentes. Seus prepostos já tentaram “seduzir” alguns dos insurgentes, mas esbarraram em dificuldades. TV Bandeirantes e RedeTV sinalizaram certa simpatia com a proposta mais “equitativa” da Record.

A rede de Edir Macedo, como de costume, não está brincando nesta disputa. Especula-se que a Record possa oferecer de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão pelos direitos do Campeonato Brasileiro 2012 e 2013. A emissora já tem a exclusividade da transmissão dos Jogos Pan-Americanos, em 2011, e das Olimpíadas de 2012, em Londres. Caso vença a parada, será um duro golpe no monopólio exercido durante décadas pela ex-poderosa TV Globo. A briga é encarniçada. Tem muita grana em jogo nesta contenda.

E vc, o que acha?? O torcedor não deveria ser mais respeitado em seus direitos e não somente como potencial consumidor???

 

 





AS INJUSTIÇAS DO SERVIÇO E DA DISTRIBUIÇÃO DE BANDA LARGA NO BRASIL

7 02 2011

Esse texto exprime um pouco das injustiças em relação ao serviço de banda larga no Brasil, ou seja, o país dos coronelismos e monopólios midiáticos também se esforça para manter sua ditadura nos meios internéticos… a internet só será livre de verdade quando de fato distribuirem seu acesso para todos!!!

O artigo foi escrito pelo João Brant, do Coletivo Intervozes, que luta pela abertura dos direitos da população em relação a comunicação no Brasil.

Antes do fim do ano passei lá no Intervozes e troquei uma idéia com o próprio João Brant e com o Pedro Eakman, outro integrante do coletivo. Leiam o texto e mais abaixo assistam ao vídeo do nosso bate-papo:

** Extraí o artigo do Blog do Miro (http://altamiroborges.blogspot.com), segue na íntegra:

Reproduzo artigo de João Brant, publicado no jornal Brasil de Fato:

Todos sabem que a internet em banda larga no Brasil é cara, lenta e para poucos. Apenas 27% das residências são conectadas à banda larga, isso considerando como “largas” conexões a partir de 256 kbps. O Brasil é um dos países em que o serviço é mais caro, tanto em valores absolutos como se considerado o poder aquisitivo da população. E a velocidade ofertada é mentirosa, como denunciam as próprias letras miúdas do contrato – as empresas só garantem 10% da velocidade contratada.

Se pensarmos que a internet viabiliza o acesso a diversos serviços, amplia o acesso ao mercado de trabalho e fortalece a diversidade informativa e cultural, o problema é grave. Concorrência quase não existe; na maioria dos casos, o serviço é prestado só pela operadora de telefonia fixa. Na longa distância, o quadro é ainda pior. Algumas prefeituras tentam oferecer serviço gratuito para a população, mas se veem frente ao controle da rede de longa distância por operadoras privadas monopolistas, que cobram quanto querem.

Para enfrentar esse quadro, o governo desenhou um Plano Nacional de Banda Larga. A principal ação prevista é a reativação da Telebrás, que passa a coordenar o uso das redes de fibra ótica de várias empresas da administração indireta (Eletronorte, Chesf, Petrobras etc.). Ela vai ofertar capacidade de tráfego de longa distância para provedores locais. A expectativa é que essa ação gere competição e abra espaço para milhares de pequenos provedores prestarem o serviço diretamente.

Mas e naquelas cidades em que não há provedores interessados ou não há oferta adequada? A Telebrás diz que nestes casos, e só nesses, vai ofertar o serviço diretamente ao cidadão. Não deveria ser assim. Onde o custo de implementação é mais baixo e há mais usuários dispostos a pagar, a Telebrás não entra. Onde ela vai ter de investir milhões para se instalar e há um mercado pouco lucrativo, ela entra para cobrir as ‘falhas de mercado’. É uma concessão injustificável. Banda larga deve ser um serviço público universal, barato e de qualidade para garantir o direito fundamental dos cidadãos a comunicação.

Segue vídeo:

E vc, o que acha do serviço e da distribuição de banda larga no Brasil???





A PSEUDO-MODERNIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO E OUTRAS BARBARIDADES…

13 12 2010

E aí camaradas e camaradas!!!

Mais um vez através desse vlog, vamos reproduzir e dar valor a ANT – Associação Nacional dos Torcedores, criada no Rio de Janeiro por Marcos Alvito e que hoje já se espalha por vários estados do Brasil.

Aliás, ontem aconteceu a primeira eleição da ANT, onde a Chapa 1, justamente a do Marcos Alvito e das pessoas que eu coligo em pensamento e ação, ganhou da Chapa 2, um movimento (se é que podemos chamar assim) ridículo e reacionário surgido de um indivíduo que mostra as garras do “outro lado” da sociedade brasileira, mal-intencionados e elitistas ao extremo. Mas enfim.

Reproduzo aqui um ótimo texto escrito pelo Marcos, que discorre sobre a pseudo-modernização dos estádios brasileiros, bem como a elitização extrema do futebol brasileiro, da expulsão do povo pobre dos estádios e do monopólio midiático em torno do futebol, realizado a décadas pela Rede Globo de Televisão, entre outros fatos importantes e iminentes.

Mais abaixo disponibilizo pela segunda vez o vídeo que eu gravei na reunião da ANT-SP, com o Marcos Alvito.

CarlosCarlos Bola & Arte

Segue o texto:

“Aos Ricos o Futebol”
Por Marcos Alvito, antropólogo, professor da Universidade Federal Fluminense – UFF e criador da ANT.

Os sinais estão por toda parte. Em 2005 o Maracanã fechou a geral, talvez o setor popular mais famoso do mundo, onde durante meio século floresceu uma cultura torcedora lúdica e carnavalesca. Em seu lugar foram colocadas cadeiras de plástico com preço seis vezes maior. O Maracanã, antes “o maior de todos”, vai virar um estádio para 76 mil pessoas. Esse encolhimento – que ocorrerá também nas dimensões do gramado – custará aos cidadãos “apenas” R$ 1,2 bilhão. Com a reabertura do estádio, calcula-se que os ingressos custarão pelo menos o dobro do que custam atualmente.

Recentemente realizou-se no Rio a Soccerex, feira internacional centrada no futebol-negócio. Nela, “especialistas” afirmaram que doravante o futebol brasileiro terá a classe A como clientela alvo, deixando de lado as classes B e C. Porque as D e E há muito não sentam em uma arquibancada. É claro que o evento foi financiado com dinheiro público. Em Santa Catarina, o Avaí aumentou em 50% o preço dos ingressos neste ano, passando de R$ 40 para R$ 60. No Paraná, o recém-promovido Coritiba já anunciou que aqueles que não aderirem a seu plano de sócio torcedor terão que desembolsar R$ 100 pelo ingresso avulso. Não é de se admirar que a média de público do campeonato brasileiro em 2010 tenha sido ridiculamente baixa: 14.839 pagantes. Isso é menos que a média do campeonato alemão da segunda divisão!

Não é o preço do ingresso o único fator para o afastamento do público. Hoje os estádios viraram estúdios para um show televisivo chamado futebol. No estádio-estúdio do Engenhão, que custou aos cofres públicos três vezes mais do que previa o orçamento, placas de publicidade impedem a visão de boa parte da linha de fundo, inclusive da linha do gol. Ingressos para esse setor “pagando pra não ver” custam, em jogo normal, R$ 30. A tabela do campeonato é alterada de uma semana para outra, modificando dias e horários sem respeito pelo torcedor. A rede de TV que monopoliza as transmissões há décadas transformou o futebol em sobremesa da novela, com jogos no meio da semana terminando por volta de meia-noite. Essa mesma rede é dona do pay-per-view, que a cada dia dá mais lucro. Ou seja: ela praticamente obriga os torcedores a se transformarem em telespectadores dos canais pagos.

Esse processo de expulsão dos torcedores mais pobres (ou menos ricos) é algo planejado e consciente. Ainda em 2004, o então presidente do Atlético Paranaense já afirmava que “o clube não precisa mais de torcedores, e sim de apreciadores do espetáculo”. Dentro dessa filosofia, proibiu a entrada de torcedores com bandeiras, tambores, faixas e camisas de torcidas organizadas. Por baixo de uma “nuvem midiática” vendendo a ideia de que estaria ocorrendo uma modernização do futebol brasileiro, o dinheiro do cidadão pobre financia, via impostos, sua própria expulsão. É um processo de Robin Hood ao contrário…

Chamar o futebol brasileiro contemporâneo de moderno, aliás, é piada de mau gosto. Por um lado temos uma estrutura política feudal mantida há décadas nos clubes, nas federações estaduais e na CBF. Por outro, o capitalismo selvagem na hora de extorquir os torcedores. A junção do atraso com a falsa modernidade é desastrosa.

Existe algo mais arcaico e tradicional que a venda de ingressos? Como vão sempre parar na mão dos cambistas? Será que as rendas reais são mesmo aquelas? Será que as gratuidades são mesmo aquelas? É um sistema obscuro que beneficia sempre os mesmos: empresas que fabricam os ingressos (e fazem adiantamentos aos clubes, presos a elas do mesmo modo que à televisão) e, mais uma vez, cartolas corruptos.

Por falar em polícia, qual é o principal instrumento de policiamento dos estádios? Investigação? Inteligência? Aparelhos sofisticados de filmagem? Acertou quem respondeu o cassetete, usado desde o Paleolítico. Em vez de prender e processar a minoria ínfima de torcedores que vai ao jogo para brigar, a polícia prefere bater. Desde quando o bom e velho porrete é sinônimo de modernidade?

A parte menos moderna, todavia, é o sistema de formação de jogadores. Milhões de jovens brasileiros sonham ser jogador de futebol. Poucos vão se tornar profissionais e, entre estes, pouquíssimos vão ganhar os altos salários que povoam o imaginário das classes populares. A formação de um jogador profissional demora em torno de 5 mil horas de treinamento em dez anos. Os clubes exploram essa mão de obra infantil sem nenhuma responsabilidade. Se o garoto de 11 ou 12 anos se machucar ou se não “servir” mais, o que ocorre? É simplesmente abandonado. Para onde vai? O Estado zela por ele? Regulação por parte do Estado, proteção aos jovens, preparação para a vida futura com ensino profissionalizante, nada disso ocorre.

Debaixo da bruma marqueteira que exalta a pseudomodernização assistimos a um processo de elitização perversa do futebol brasileiro. Perversa porque financiada com dinheiro do povo. Uma arte e cultura popular criada e mantida por gerações de brasileiros é saqueada em benefício de poucos. É o primeiro mandamento do futebol-mercadoria: dai aos ricos o futebol.






O VELHO OLIGOPÓLIO DA MÍDIA NO BRASIL

23 11 2010

Bom.. esse assunto já é antigo no Brasil. Mas mesmo sendo antigo, muitas e muitas pessoas insistem em não pensar sobre e preferem alimentar seus coraçõezinhos e mentes de telenovelas de conteúdo duvidoso e telejornais que transmitem suas “verdades absolutas” a milhões de brasileiros.

O que já era fato pra mim foi se transformando cada vez mais em realidade concreta quando fui estudar comunicação no ano de 2002 e me formei no ano de 2005, no curso de Rádio e Tv. Na ocasião, a grande maioria de estudantes de tal curso não se mostravam muito preocupados com as questões de oligopólio midiático e de trabalharem por uma real democratização da mídia/comunicação no Brasil.

Mas, como eu não vim a esse planeta por acaso e faço questão de acreditar e agir em prol de mudanças efetivas por aqui, eu, CarlosCarlos, continuo através do Projeto/Programa Bola & Arte, difundindo informações a respeito dessas prisões em que estamos inseridos todos os dias no nosso país tão amado e sofrido, Brasil.

Oxalá um dia o Brasil terá outros procedimentos para apropriação de concessões para o povo brasileiro, para quem quiser difundir e divulgar informações fora do monopólio midiático, e isso vai depender exclusivamente de nós mesmos, para que a comunicação pare de ser de “rico pra pobre” ou do “sudeste para o resto do Brasil”, descentralizando assim e democratizando o que é direito humano e essencial para que um povo se desenvolva mais livremente.

E praqueles que pensam que é utopia, que é impossível, eu deixo a pergunta: porque em outros países as concessões são mais democráticas e no Brasil não?? Deve ser por nossa história elitista e dominadora, de uma elite para um povo. Mas ainda vai mudar. E todos nós celebraremos esse dia em que nossos filhos e gerações vindouras gozarão de um lugar melhor pra se viver.

Assistam agora esse vídeo do Coletivo Intervozes (parte 1 e parte 2), que luta pela democratização da comunicação em nosso país e mostra de forma simples e direta o que muitos ainda não querem ver e admitir. Assistam:

Parte 1:

Parte 2:

E aí, qual a sua opinião a respeito???





O DISCURSO DO MINISTRO FRANKLIN MARTINS ME DÁ ESPERANÇAS

12 11 2010

Li o texto a seguir no Blog do Miro (http://altamiroborges.blogspot.com), que é um militante de causas da esquerda em prol de verdadeiras transformações sociais em nosso país.

Não posso negar que fiquei esperançonso. Esperançoso porque acredito que a regulamentação dos meios de comunicação no Brasil é uma das causas mais urgentes a serem resolvidas por aqui. Penso, acredito e respiro essa idéia a longos anos, sonhando por um Tv descentralizada, onde o leque de abertura de produções vindas de todos os cantos do país se abram e perdurem por longos e longos anos. Uma Tv plural e com a cara do Brasil, uma tv que não centralize seu conteúdo somente no eixo Rio-São Paulo. Uma Tv que usufrua das inúmeras possibilidades que a “Era Digital” nos apresenta, ou seja, quadruplicar o número de canais existentes em um aparelho de televisão e assim verdadeiramente deixar que as pessoas escolham o que querem assistir.

Quando a Rede Globo diz que a CONFECOM, Conferência Nacional de Comunicação, que foi realizada ano passado e da qual eu participei de algumas pré-conferências (tanto em São Paulo como em Brasília) é uma ameaça a liberdade de imprensa e a democracia, isso nada mais é do que o medo e a ganância de um veículo centralizador que nasceu na época da ditadura e financiada pelos EUA, de perder dinheiro e poder no cenário brasileiro.

Pra ela (Globo), não interessa ver o povo se libertando, se encontrando, se reconhecendo verdadeiramente na tela, pra ela interessa ver o povo burro e sem crítica para assim continuar faturando milhões e interferir fortemente em mentes e corações de milhares de pessoas.

Não acho que o Brasil deva fechar as comunicações e não deixar a Globo ter o seu canal, mas sim regulamentar toda essa palhaçada que faz esse gigante deitar e rolar do jeito que quer, em detrimento das verdadeiras necessidades do povo brasileiro. Acredito que o que deva ser feito é aumentar o leque de possibilidades de produção, difusão e concessões para o maior número de brasileiros que queiram manter um canal de televisão e/ou difundir o conteúdo produzido por ele próprio e não por outros. A internet está ajudando demais nesse processo, onde aos poucos as pessoas percebem que tem voz como mídia e não apenas recebem mídia, elas se vêem produzindo mídia e colocando as suas opiniões. Será que é difícil demais de entender isso????

Como muitos sabem, no primeiro turno das eleições 2010 eu votei no Plínio de Arruda Sampaio, mas no segundo turno votei na Dilma. E a principal causa disso é de ter ouvido de algumas pessoas infiltradas no PT que de fato o partido tem a intenção de interferir mais fortemente nas comunicações do país. Pra mim é certeza absoluta que nada seria feito num eventual governo Serra e a possibilidade de isso acontecer com a Dilma foi alimentada demais pelo discurso em forma de texto que disponibilizarei a vocês a seguir, onde o Ministro Franklin Martins fala sobre todas essas necessidades iminentes. É aquilo, um discurso é um discurso e a prática é a prática. Mas vou ser otimista e acreditar nisso, acreditar tão fortemente ao ponto de fazer de tudo para que isso aconteça, quero fazer parte desse momento de transição das comunicações no Brasil!!!

Pra finalizar: o lance é abrir caminhos e possibilidades e não permitir que uma emissora só domine todo o cenário, não permitir que o mercado dite as regras, as pessoas e os veículos tem que parar de ser mesquinhos e pensar no todo, abrindo espaços para que todos se encontrem, sejam felizes e tenham o poder de transformar. Precisamos destruir esse ranço de capitalismo e competição implantando em nossos corações desde o nascimento. A hora é agora!!!!

Mais abaixo disponibilizo o eterno Programa Bola & Arte, um símbolo nessa luta pelo audiovisual e comunicações no Brasil!!!!!!

Segue postagem do Miro (Blog do Miro – http://altamiroborges.blogspot.com)

Reproduzo a integra da intervenção do ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), apresentada na abertura do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em 9 de novembro:

Bom dia a todos vocês.

Em primeiro lugar, eu queria agradecer aos palestrantes dos diferentes
países, que vieram de tão longe aqui, para dividir conosco a experiência que
possuem de regulação de comunicações eletrônicas.

Queria agradecer a todos os participantes, entidades, personalidades,
parlamentares, agentes públicos, acadêmicos, organizações da sociedade civil
empresarial e não empresarial, que aqui estão presentes, e dizer que, para a
Secom, é motivo de uma grande satisfação realizar este seminário.

O mundo das telecomunicações vive, hoje, uma era de desafios e de enormes
oportunidades. O processo de digitalização, a internet, o processo de
convergência de mídias, tudo isso oferece extraordinárias possibilidades,
seja do ponto de vista da difusão da informação, seja do ponto de vista da
produção e difusão cultural, seja do ponto de vista da democratização de
oportunidades e do exercício da cidadania. Além disso, permite o
estabelecimento de uma economia de vastíssimas proporções e enormes
potencialidades, gerando crescimento, gerando emprego, gerando renda,
aumentando a arrecadação de impostos; em suma, organizando um importante
setor da economia, incidindo sobre o conjunto da economia uma sociedade de
informação e de conhecimento.

Algumas consequências desse processo são nítidas. Em primeiro lugar, os
custos de produção caem brutalmente, a digitalização permite que muitas das
atividades, feitas em outras plataformas, em outras bases tecnológicas,
antes, sejam feitas de forma muito mais barata, e isso abre enormes
possibilidades.

As fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão vão se dissolvendo,
e isso gera grandes desafios. Até algum tempo atrás, era de um lado o
telefone, telefone era voz, não passava disso; do outro lado, você tinha a
radiodifusão. Hoje, cada vez mais, esse processo vai produzindo uma
interpenetração, gerando uma série de interrogações, uma série de
possibilidades, gerando uma série de riscos, mas, mais do que tudo, gerando
enormes possibilidades.

Costumo dizer que a convergência de
mídias é um processo inelutável, está em curso e ninguém vai detê lo. Por
isso mesmo é muito bom olharmos para frente, ao invés de ficar olhando para
o passado, olhar para trás. Olhar com nostalgia para o passado pode ser
muito interessante, do ponto de vista, vamos dizer, da pessoa se sentir bem,
rememorar coisas, etc., mas o futuro está ali e o futuro é a convergência de
mídia. Vou dar um exemplo para vocês. Isto aqui é uma televisão portátil, eu
recebo aqui um sinal aberto, gratuito, de radiodifusão e posso assistir
televisão aqui. Agora, esse mesmo aparelho se transforma em um celular, eu
recebo aqui televisão, um sinal numa tecnologia 3G, 3G e meio, 4G, ou o que
vier a aparecer, um sinal que pode ser gratuito, ou não, dependendo do
modelo de financiamento que a empresa tiver adotado. Evidente que o usuário
não vai ficar andando com dois aparelhinhos iguais. Esses dois aparelhinhos
viram um só, isso vale para a mobilidade, mas isso vale dentro de casa. Ou
seja, em pouquíssimo tempo, para o usuário, o cidadão, será absolutamente
indiferente se o sinal está vindo da radiodifusão ou está vindo das
telecomunicações.

Regular esse processo de convergência é um tremendo desafio e uma grande
necessidade para todo mundo, porque, sem regulação, não se estabelecem
regras claras, não há segurança de como atuar e, mais do que isso, não há
uma interferência da sociedade em como produzir um ambiente estável, um
ambiente com perspectiva e um ambiente onde os interesses da sociedade
prevaleçam sobre todos os demais.

Este seminário aqui, ele tem como objetivo recolher as experiências de
vários países, países democráticos, países com os quais nós mantemos
relações intensas, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista
cultural, do ponto de vista político, que são parceiros importantes do
Brasil, recolher as experiências de como eles estão regulando esse processo
de convergência de mídia. Ninguém tem um modelo pronto, que está dando
certo, que já resolveu tudo, não; está todo mundo, mais ou menos, sobre a
marcha, enfrentando os problemas que vão aparecendo. Acerta aqui, erra ali,
busca uma solução que se revela criativa, uma outra, que se pensava que era
criativa, se vê que não dá nada, bateu num muro. Mas são. Eles estão lidando
com isso e estão, de um modo geral, muito mais avançados do que nós, como
nós veremos a seguir.

Aprender com as experiências deles não é copiar a experiência deles; é ver
como eles lidaram com problemas semelhantes ao que nós estamos lidando aqui.
Semelhantes, não iguais. Semelhantes, não iguais. Então, aprender com as
experiências deles é importante para nós entrarmos nesse desafio de produzir
um novo marco regulatório para as comunicações eletrônicas, dentro desse
ambiente de convergência de mídia.

No Brasil, o nosso desafio é maior ainda do que estão enfrentando esses
outros países, porque aos desafios que são gerais, próprios das mudanças de
tecnologia, da introdução de novas tecnologias, etc., somam se desafios
peculiares, particulares nossos.

A nossa legislação é absolutamente ultrapassada. Isso não é segredo para
nenhum de vocês. A gente pode fazer discurso, pode dizer que já fez uma
mudancinha aqui, adaptou ali, mas cada um de nós, quando conversa com seus
botões e não com o microfone da televisão, sabe perfeitamente que a nossa
legislação é absolutamente ultrapassada. Para se ter uma ideia, o Código
Brasileiro de Telecomunicações, que é o que rege a radiodifusão em linhas
gerais, é de 1962 – 62 -, ou seja, televisão, não havia TV a cores, não
havia satélites, não havia rede; naquela época, havia mais “televizinho” do
que televisão no Brasil. “Televizinho”, para quem não se lembra – a maioria
aqui não é daquela época – se chamava simpaticamente os vizinhos que vinham
assistir televisão na casa de quem tinha. Pois bem, havia mais “televizinho”
do que televisão. Nosso Código é dessa época. Ele não responde aos
problemas, é evidente. E acumularam se problemas imensos, que não foram
sendo resolvidos, que foram sendo encostados, que se fez uma gambiarra, fez
um gatilho(F). Olha, não é só em favela que se faz gambiarra para puxar TV
por assinatura, não. Nossa legislação é um cipoal de gambiarras, porque não
vem se enfrentando as questões de fundo.

A isso se soma uma outra coisa. Nossos dispositivos constitucionais sobre
comunicação, em sua maioria, não foram regulados até hoje. Ou seja, o
constituinte determinou uma série de questões e disse: “É preciso lei para
isso”. Vinte e dois anos depois, o Congresso não votou lei alguma que
regulasse isso, alguma. Alguma não. Quando algumas empresas de comunicação
tiveram problemas de caixa – entende? -, aí se votou a lei que regulou a
questão do capital estrangeiro, porque era necessário capital com dinheiro
lá fora. Mas tirando isso, quando foi que se regulou a questão da produção
independente, da produção regional, da produção nacional, da desconcentração
das propriedades? Fica tudo ali na prateleira, fica tudo na cristaleira. Eu
acho que a hipocrisia é uma das piores coisas que pode haver na vida de uma
pessoa e na vida de um país. Se nós achamos que não vale a pena, nós não
queremos produção nacional, garantias para ela, nós não queremos garantia
para produção regional, nós não queremos garantia para que haja produção
independente, nós não queremos evitar a concentração excessiva da
propriedade. Se nós achamos tudo isso, nós devemos revogar essa
Constituição. Agora, isso está lá e isso exige ser regulamentado, e o
processo de regulamentação das comunicações eletrônicas é uma oportunidade
para isso e isso não pode ficar de fora.

Em muitos aspectos, o que eu estou falando não é
novidade para nenhum dos senhores que são do setor, que acompanham, sejam da
academia, de entidades empresariais, não empresariais, de legisladores,
criou se, na área de comunicação, uma situação que foi um pouco terra de
ninguém.

Todos nós sabemos que deputado e senador não pode ter televisão, mas todos
nós sabemos que deputados e senadores têm televisões, através de
subterfúgios dos mais variados. Está certo? É evidente que está errado. Por
que não se faz nada? Porque eu acho que a discussão foi sendo, o tempo todo,
contida, foi sendo, o tempo todo, evitada e, agora, é uma oportunidade para
que se rediscuta tudo isso. Mas isso. Eu vou dizer francamente aos senhores:
o principal não é olhar para trás; é aproveitar e se fazer aquilo que
devíamos ter feito, porque, fazendo isso bem feito, poderemos, ao mesmo
tempo, simultaneamente, olhar melhor para frente e, para frente, ser capaz
de legislar de uma forma mais permanente, mais flexível, mais capaz, mais
moderna, mais integradora, mais cidadã e mais democrática.

Isso tem de ser feito através de um processo de discussão público, aberto,
transparente.

Tudo bem que a gente converse em separado, todo mundo converse em separado,
mas a essência da discussão não é como tal grupo econômico ou tal setor faz
chegar seus pleitos, demandas, exigências, críticas, preocupações ao Poder
Público; é como todos levam isso abertamente, publicamente, de forma
transparente, na sociedade, e a sociedade escolhe e elege os caminhos que
deseja seguir. E isso, basicamente, no local definido constitucionalmente,
no local onde se produzem as leis, e pode ser choque dos interesses, palco
do choque dos interesses, que é o Congresso Nacional.

O governo federal, ao trabalhar para produzir um anteprojeto de um marco
regulatório, vê esse processo como um processo de discussão pública, aberta,
transparente, que não é rápida, é complexo o assunto, são sensíveis os
problemas, as reivindicações são grandes, os ressentimentos e os
preconceitos monumentais de tudo que é lado, os fantasmas passeiam por aí,
arrastando correntes e, muitas vezes, impedindo que a gente ouça o que tem
que ouvir. E isso só se dissolve num debate público aberto e transparente.
Eu acho que a nossa sociedade, apesar de alguns momentos de enorme tensão,
de fúrias mesquinhas, é uma sociedade com uma grande vocação para o
entendimento, para a discussão, para o debate, para acertar posições, e eu
acho que esse debate, se nós formos capazes de nos livrarmos dos fantasmas e
não deixarmos os fantasmas comandar a nossa ação, nós conseguiremos produzir
um clima de entendimento e avançaremos muito nesse sentido.

Isso interessa à sociedade. Essa discussão tem que ser travada frente a
frente com a sociedade, porque isso interessa à sociedade. Isso não é uma
discussão apenas sobre economia, sobre uma repartição de áreas ou cruzamento
de áreas entre grupos econômicos e setores; isso diz respeito à comunicação,
diz respeito à democracia, à criação de oportunidades, a uma sociedade de
informação e conhecimento, à participação política, à produção cultural, e,
para isso, a sociedade deve participar diretamente disso, e esse deve ser o
pano de fundo, em cima do qual se assentam as opções que o país terá de
fazer.

Quais são os princípios? Me perguntam muito: “Ah, mas como é que está? Vai
ser uma ou duas agências? Vai fazer isso ou vai fazer aquilo?”. O governo
está discutindo internamente, suando para conseguir produzir algo, ainda
neste mandato, para entregar à presidente eleita, a Dilma Rousseff, para que
ela decida o que quer fazer, se quer abrir para consulta pública aquele
projeto ou se quer trabalhar mais em cima do projeto. Provavelmente é o que
ela fará e tal, ela terá um ponto de partida, mas fará. Eu dizia ontem, e
tenho dito: eu estou convencido de que a área de comunicação no governo da
presidente Dilma terá – eu vou fazer uma comparação -, mais ou menos, o
mesmo tratamento que teve a área de energia no primeiro mandato do Governo
Lula.

No primeiro mandato do Governo Lula, ou se estabelecia um marco regulatório
para energia, que desse perspectiva, condição de planejamento, segurança
jurídica, interferência da sociedade, que se criasse esse ambiente, para que
o investimento fosse retomado com a velocidade necessária, ou se produziriam
apagões em série. Se fez a modificação, se produziu um novo ambiente
regulatório, e o Brasil, penando, se livrou do fantasma do apagão. Diferente
é um dia cair uma torre, etc., mas o apagão, como carência da oferta de
energia, isso parou de existir. Por quê? Porque se criou um novo ambiente
regulatório e se definiu aquilo enquanto algo estratégico para o crescimento
da economia, naquele período. Comunicação é a mesma coisa agora: ou se
produz um novo marco regulatório ou nós vamos perder o bonde de uma área
crucial para o crescimento da economia e, mais do que o crescimento da
economia, para o exercício da cidadania, nos próximos 10, 20 anos, porque
não se chega lá de qualquer jeito, não se chega lá só com o mercado
empurrando de qualquer jeito; é necessário debater, discutir, traçar
políticas públicas, fazer regulação para que as políticas públicas sejam
aplicadas e, em função disso, criar um ambiente que permita o investimento e
permita que a sociedade se sinta portadora de direitos, não só como
usuários, mas como cidadãos.

Isso é especialmente importante. Então, o que eu quero dizer é o seguinte:
precisamos de uma discussão aberta, pública, transparente, sobre isso. E eu
queria convidar a todos os senhores a – na medida do possível, eu sei que
isso não é fácil – deixar os seus fantasmas no sótão, que é onde eles se
sentem melhor. Os fantasmas, quando dominam as nossas vidas, de um modo
geral, nos impedem de olhar de frente a realidade. Passa uma criança
brincando, você não percebe como aquilo é lindo; passa uma mulher bonita -
no meu caso -, você não olha, porque você está com os fantasmas na cabeça.

Eu queria dizer aos senhores o seguinte: há crianças brincando, há mulheres
bonitas, há situações interessantes, há possibilidades extraordinárias, há
disposição política, mas os fantasmas não podem comandar o processo. Se
comandarem, nós perderemos uma grande oportunidade. Se comandarem, nós não
criaremos um ambiente de entendimento, mas perseveraremos num ambiente de
confrontação, e isso não é bom para ninguém. Vamos nos desarmar, não da
defesa dos interesses de cada grupo, evidente, de cada setor, continuarão
defendendo, mas vamos nos desarmar. Isso é muito concreto. Nenhum setor,
nenhum grupo tem poder de interditar a discussão; a discussão está na mesa,
está na agenda, ela terá de ser feita, ela pode ser feita, num clima de
entendimento ou num clima de enfrentamento. Eu acho que é muito melhor fazer
num clima de entendimento.

Eu vou repetir para vocês algo que eu falei na comissão organizadora da
Conferência Nacional de Comunicação, quando determinadas entidades
resolveram se retirar – um direito legítimo delas – da organização daquele
processo, achando que estavam tomando caminhos. Eu acho que eles estavam
equivocados, mas não quero discutir, isso é passado, eu estou olhando para
frente, quero deixar bem claro. Mas eu vou repetir o que eu disse para eles:
o governo federal tem consciência de que, nesse processo de convergência de
mídias, é preciso dar uma proteção especial à radiodifusão, e não faz isso
porque tem nenhum acerto, não; faz isso porque tem sensibilidade social, tem
a sua opinião, que tem sensibilidade social. O sinal da radiodifusão é um
sinal aberto, gratuito, que chega a todo mundo, e, em um país que, apesar
dos enormes progressos dos últimos anos, ainda tem uma percentagem da
população miserável, ou uma grande percentagem da população pobre, ter um
sinal de radiodifusão aberto, gratuito, em todo o território nacional, que
chega a todos, é de extrema relevância.

Então, temos essa sensibilidade, temos a vontade de encontrar, dentro desse
cipoal, que é o processo de convergência de mídias, caminhos que produzam
isso. E eu vou dizer o que eu disse, naquele dia, aos representantes das
organizações que tinham decidido se retirar: se não houver pactuação, se não
houver um processo de discussão público, aberto e transparente, que coloque
na mesa os interesses de cada um, legítimos, e se resolva eles à luz dos
interesses nacionais, quem vai regular não é o debate, é o mercado. Não é o
Congresso. Quem vai regular é o mercado. E, quando o mercado regula, quem
ganha é o mais forte.

A radiodifusão. Aquilo foi em 2008, o episódio, e eu disse a eles. A
radiodifusão tinha faturado, naquele ano, no ano anterior. Aliás, foi início
de 2009. No ano de 2008, ela tinha faturado como um todo, o setor como um
todo, no Brasil, 11,5 bilhões. O setor de telecomunicações, no ano de 2008,
tinha faturado, em todo o Brasil, 130 bilhões. Esses números, se eu não
estou errado, evoluíram, no ano de 2009, para 13 bilhões e um quebrado, para
a radiodifusão, e algo próximo de 180 bilhões para as telecomunicações. Ou
seja, a grosso modo, o faturamento, hoje em dia, das teles, o setor de
telecomunicações é 13 a 14 vezes maior do que o faturamento da radiodifusão,
e aí vale rádio, rede nacional de televisão, rádio do interior, todo mundo,
pelo menos o declarado. É evidente que, se não houver regulação, se não
houver a criação de mecanismos que entendam a importância da radiodifusão e
sua importância social no país, ela será atropelada pelas telecomunicações.
Eu costumo dizer que será atropelada por uma jamanta. Isso não é bom para o
país. Isso não é bom para o povo brasileiro, isso não é bom para a pessoa de
classe C, D e E, que não têm condições de ter acesso a outro tipo de
comunicação eletrônica, que precisa daquilo. Por isso mesmo a regulação deve
entrar nisso. Mas reparem só: para entrar, nós temos que entrar na
discussão. Não dá para dizer: “Eu vou interditar toda outra discussão, e
essa daqui eu quero”. Isso não existe. Aqui entre nós, ninguém é tão forte
assim no Brasil para isso, nem o governo federal, nem o setor de teles, nem
a radiodifusão, nem academia. Ninguém é tão forte. Nós precisamos sentar na
mesa e conversar, sentar na mesa e conversar, e produzir, no local onde se
votam e aprovam as leis, que é o Congresso Nacional, um texto que seja capaz
de fazer um novo ambiente regulatório, um ambiente de convergência de mídias
extremamente complexo, em mutação permanente. Que nós sejamos capazes de
fazer isso.

Entre os fantasmas, talvez o fantasma mais renitente, o fantasma que mais
aparece, o fantasma mais garboso dessa discussão toda, seja a tese de que
regulação é sinônimo de censura à imprensa. O Governo Lula já deu provas
suficientes do seu compromisso com a liberdade de imprensa, e deu em
condições onde não teve a imprensa a seu favor. Na época do pensamento
único, era fácil. Eu quero ver ser a favor da liberdade de imprensa,
apanhando dia e noite da imprensa, muitas vezes sem amparo nos fatos, muitas
vezes movido apenas pelo preconceito, muitas vezes movido apenas pela
posição política desse ou daquele órgão, etc. e tal. Nenhum problema com a
liberdade de imprensa, nenhum problema. O Brasil goza de absoluta, de
irrestrita liberdade de imprensa.

Da minha parte, eu, como jornalista, e eu, como militante político, já aos
14, 15 anos, lutava contra a ditadura, faço parte de uma geração que cresceu
ansiando por liberdade de imprensa, aprendeu o seu valor. Eu não estou entre
aqueles que lutou [contra] a ditadura em algumas circunstâncias; eu lutei
contra a ditadura do primeiro ao último dia da ditadura, lutei pela
liberdade de imprensa do primeiro ao último dia da ditadura. Então a
liberdade de imprensa não é algo que é uma circunstância que politicamente
me convém ou não convém; é como eu digo, é algo que vem da alma.

Então, essa história que a liberdade de imprensa está ameaçada, isso é uma
bobagem, isso é um fantasma, isso é um truque, porque isso não está em jogo.
É importante qualificar. A liberdade de imprensa é a liberdade de imprimir.
Ou seja, antigamente, quando não existia rádio, quando não existia
televisão, a liberdade de imprensa significava o direito que cada pessoa que
publicava um jornal tinha de imprimir o que quisesse. Hoje em dia, ela é
mais ampla do que a liberdade de imprimir; ela é a liberdade de divulgar,
porque também entra em meios. Não papel, não fita, que, cada vez mais, a
liberdade de imprensa significará liberdade de divulgar, publicar. A essa
liberdade não deve, não pode, não haverá qualquer tipo de restrição. Mas
vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação na sociedade.
Eu estou seguro. Os senhores ouvirão o relato das experiências dos
diferentes países, todas democracias. Os Estados Unidos é uma democracia, é
uma democracia. O Reino Unido é uma democracia. Nossa República “hermana” da
Argentina é uma democracia. Portugal é uma democracia. Espanha é uma
democracia. Europa é uma democracia. Em todos eles há regulação de meios
eletrônicos, e isso não significa, por nada, que haja censura. Gostaria
muito que os senhores, quando houver a fase das perguntas, perguntassem
muito, aqui, aos expositores, se a liberdade está ameaçada lá, porque existe
regulação.

Então, isso é uma discussão que é um fantasma. Ele entra na discussão, na
verdade, para não se entrar na discussão. E é isso que eu acho que nós
deveríamos, nesse debate, tentar ultrapassar e ir muito além disso. É
verdade o seguinte: liberdade de imprensa. Eu acho que, às vezes, é essa a
confusão que eu acho que existe. Não quer dizer que a imprensa não pode ser
criticada, que a imprensa não pode ser observada, que a imprensa não pode
ser alvo de críticas de quem quer que seja. Todos nós somos alvos de
críticas. Aliás, quando temos uma atitude madura diante das críticas, de um
modo geral, melhoramos com elas. Isso vale para nossa vida doméstica, vale
para nossa vida profissional, vale para as empresas que alguns de vocês
dirigem, vale para países, vale para o Presidente da República, vale para o
Papa. Ou seja, quando somos criticados e olhamos as críticas sem
preconceito, em geral, melhoramos com ela. Elas podem ser verdadeiras, podem
não ser, mas isso é parte do jogo.

Liberdade de imprensa, volto a dizer – já disse isso várias vezes – quer
dizer que a imprensa é livre, não quer dizer que a imprensa é
necessariamente boa. A imprensa erra, erra muito. Eu, como jornalista, sei
que a imprensa erra muito, qualquer jornalista que está aqui sabe que a
imprensa erra muito. Os leitores, telespectadores, ouvintes sabem que a
imprensa erra muito, e, de um modo geral, é capaz de distinguir, de separar,
o erro cometido de boa fé, no afã de produzir a tempo uma informação para
ser entregue ao público, da manipulação da notícia, que é produzir com
qualquer outra intenção, mas estão sendo submetidos às críticas dos
telespectadores, dos ouvintes, dos leitores, todos os órgãos de imprensa,
que também podem ser submetidos à crítica por outros órgãos de imprensa. A
imprensa no Brasil, nos tempos heróicos, era um cacete só entre os jornais,
eles brigavam o tempo todo. Isso não dizia que não havia liberdade de
imprensa; dizia que havia liberdade de imprensa.

Então, a crítica a erros da imprensa, a crítica à manipulação que certos
órgãos eventualmente venham a fazer, isso faz parte da disputa política, e a
liberdade de imprensa não está arranhada, quando alguém crítica um órgão ou
outro da imprensa; ao contrário, isso faz parte do ambiente democrático, e
com ele se deve aprender a viver e, se possível, aprender a melhorar.

Eu acho que, se nós formos capazes de entender isso, nós vamos ter mais
vozes se expressando, porque o que se quer não é. Onde tem liberdade de
imprensa se quer mais liberdade de imprensa; onde se tem algumas vozes
falando se quer é mais vozes falando; onde tem opiniões se expressando, no
debate público, se quer é mais opiniões se expressando no debate público;
onde se tem artistas e pessoas do povo, produzindo cultura, o que se quer é
mais artistas e mais gente do povo produzindo cultura. É “mais” e não
“menos” que está em jogo, neste debate sobre o novo marco regulatório.

Então, eu queria, para finalizar, novamente, agradecer a todos os senhores,
agradecer especialmente aos palestrantes que vieram de tão longe aqui, para
nos brindar com a sua experiência. Estou seguro de que ela nos ajudará
muito, ajudará muito, não apenas ao governo, mas a toda a sociedade
brasileira, a travar, de uma forma madura, um debate que já custou muito a
chegar e que precisa ser travado o quanto mais cedo possível.

Programa Bola & Arte com Max B.O. e Juliana Cabral Bloco 1:

Programa Bola & Arte com Max B.O. e Juliana Cabral Bloco 2:








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