TEXTO DE FERNANDO ANITELLI, DO TM – Um contraponto às recentes declarações de Rick Bonadio

17 12 2009

Saaalve galera!!! Esse texto não pode ser esquecido nem deixado em vão. Ele é pra ser passado e repassado, twitado e retwitado, é realmente inspirador. Peguei no blog (http://oteatromagico.mus.br/wordpress/) do meu camarada Fernando Anitelli, líder da banda O Teatro Mágico e repasso aqui pra galera ler e se inteirar do “Movimento Músicaprabaixá” e também pra reavaliar os seus conceitos no quesito “mercado musical”, “Ricks Bonadios” e afins (pra quem não sabe, Rick Bonadio é o bam-bam-bam de música enlatada no Brasil).

Após o texto, compartilho com vcs o comentário que deixei no blog do Fernando + convite pra festa do Movimento Músicaprabaixá que vai rolar sexta-feira + um vídeozinho pra não perder o costume. PRIMEIRO O TEXTO:

UM CONTRAPONTO ÀS RECENTES DECLARAÇÕES DE RICK BONADIO:

por Fernando Anitelli

Recentemente demos uma entrevista para a revista Fórum com declarações sobre o novo momento da música, do mercado e dos modelos de negócio nesta área… Com o intuito de esclarecer nosso público, músicos, usuários da música em geral, sobre toda essa cadeia produtiva e suas ramificações, enfim…

O Teatro Mágico iniciou um movimento chamado MPB (Música para Baixar)! Movimento que se opõe a toda uma estrutura vigente atualmente no mercado que contempla a lógica do capital: Pagou, tocou! isso mesmo! simples assim… relação conhecida como “jabá” – crime que acaba censurando o artista local, independente e que muitas vezes não vê outra forma de mostrar seu trabalho a não ser no Rádio ou na TV!

Aliás… me diga, em qual outro meio de comunicação você espera ouvir música?
Qual o caminho para a nova geração de músicos? Correr atrás de uma gravadora qualquer? Ou daquele canal que se diz de música brasileira!? Como divulgar seu trabalho? E depois? Como se sustenta o grupo? Como fazer pra dar sobrevida às coisas todas que produzimos?

O MPB não quer dizer… “estou dando de graça, não valorizo, não me importo, estou abrindo mão dos meus direitos”… de maneira alguma!
É justamente o contrário! Você é dono da sua música, não mais a Editora da Gravadora X, Y ou Z! Você cria as licenças sob as quais você quer reger sua obra (Creative Commons), você é quem decide como, quando e o quê fazer com todo seu material!
Buscamos transparência junto ao Ecad (orgão que recolhe dinheiro pela execução de uma música) que repassa tudo o que é arrecadado para as 600 músicas mais tocadas no rádio! OPA! Mas perai… eu não toco no rádio! eu não pago jabá!? e agora?
Ou seja, mesmo que sua música toque no rádio (um pouco), o retorno disso não vem pra voce… vai para as 600 mais tocadas! e quais são as mais tocadas? as que pagam JABÁ! pronto. fechamos o ciclo da panela toda!

É sabido, que atualmente, as gravadoras não investem mais como antes em grupos novos (do zero!), justamente pela possibilidade e variedade de música que o cidadão comum pode encontrar na net e consumir a vontade! Eles buscam bandas que já tenham certo público, uma carreira mínima, uma relação interessada com a música! e passam o resto do tempo investindo milhões em publicidade, em programações diárias pra fazer você (ouvinte) acreditar que aquilo que esta passando é de fato “vontade do povo”! Isto não é justo, não é democrático e não é transparente… a música livre sim! Você ouve se quiser, baixa se quiser, divulga se quiser! Parafraseando Pena Schmicht: “O que irá prevalecer a partir de agora é o talento!” e não mais o investimento! Não dá pra enganar o público tanto assim com tanta informação acessível a todos! Tiramos a mascara do carrasco que insiste em vestir a carapuça de novo! Chega!

Essa atitude de trocar música, compartilhar arquivos P2P, espalhar algo que a gente gosta é natural! sempre foi! Fazíamos isso com as pequeninas fitas K7, depois passamos a gravar CDs e hoje não precisamos mais das mídias físicas… simplesmente mandamos por e-mail e/ou algo assim! O público é o maior aliado que qualquer banda pode ter! É ele que vai alimentar o site, as comunidades, as divulgações e os rumos do grupo!

Dentro deste novo perfil, muitas pessoas têm dúvidas sobre o futuro!

“Meu Deus! E agora? Músico ainda é profissão? Música da dinheiro?
Agora ninguém é dono de nada?” – são estas afirmações equivocadas e distorcidas que acabam confundindo o público! E foi assim que, de maneira desastrada e desrespeitosa, Rick Bonadio falou sobre o assunto em questão! Ele, que produziu grandes pérolas do mercado musical (Broz, Et e Rodolfo, Rouge, Dogão, CBJR, Nxzero e Fresno) disse em recente entrevista que: “O artista que libera sua música na internet é estúpido” e à todos aqueles que baixam música disse: “São espertalhões sem cultura” – pois é… Uma pena que alguém com a vivência e experiência que tem, ainda não entendeu o que esta acontecendo no mercado atual! Pena maior é a maneira completamente sem educação que ele se dirigiu a toda uma nova geração que busca soluções e possibilidades para se inserir no mercado musical, inclusive baixando e repassando os grupos que ele produz! Enfim…

Depois de ler a tal entrevista, tentei me comunicar com Bonadio através do twitter, tentei explicar à ele sobre a música livre, o Movimento, nossas responsabilidades como artistas… falei que muitas vezes é o fã mais apaixonado pela banda que vai colocar todo o conteúdo de maneira livre na internet, expliquei que se não fosse isso, milhares de músicos permaneceriam de fora do cenário atual! Falei sobre a possibilidade de trabalho (sim! Dinheiro) neste novo cenário, Chamei pra um debate aberto e esclarecedor… até porque acredito que quem vai ganhar com um debate como este, somos todos nós! Afinal, é importante entendermos a ótica de quem já esta no mercado há um bom tempo e aprender com suas experiências também! sejam elas proveitosas ou não! – infelizmente minha tentativa foi em vão… ele disse que: “O TM é apenas uma exceção”… eu disse que não!
Que somos na verdade, uma possibilidade!

Depois ele falou mal de novo do artista que libera música e disse que só faria um debate se fosse qualificado, tal qual havia sido sua conversa com Leoni horas antes no twitter! Pois bem! Eu voltei a dizer que estaria com o próprio Leoni amanhã (17/12) no Rio conversando sobre tudo isso!… mas a partir daí… ele não se pronunciou mais…
que pena (de novo)!

O que estamos falando aqui não é sobre a qualidade dos trabalhos envolvidos, nem a quantidade dos trabalhos envolvidos… mas sim, a POSSIBILIDADE de novos grupos atuarem no mercado de maneira honesta, justa, transparente e democrática! O TM se fez assim e me nego a acreditar que esta experiência só funcione com a gente! Até por isso estamos nos mobilizando, comparecendo na grande maioria dos Festivais independentes pra falar sobre o MPB, promovendo oficinas, debates, palestras, inclusive, no próprio site do MPB temos algumas propostas para tudo isto que estamos conversando! http://musicaparabaixar.org.br/?p=518

Se deu certo pra um, que este “um” saiba nos mostrar o caminho das pedras… e não vender pedra a pedra achando que assim esta construindo algo de útil e positivo pra música brasileira!

É isso por enquanto!

Aqui estão alguns outros links esclarecedores também:

http://musicaliquida.blogspot.com/search/label/M%C3%BAsica%20Para%20Baixar

http://penas.blogspot.com/2009/10/musica-ainda-e-profissao.html

AGORA O MEU COMENTÁRIO NO BLOG DO FERNANDO:

Salve Fernando!!! Muito bom o texto!!! É isso, meu camarada, é o que estamos vivendo em vários, talvez todos os campos de atuação, só que cada um com uma escala diferente.. de fato a “música de gravadoras multinacionais” foi talvez a primeira indústria mais evidente que experimentou uma grande queda de uns tempos pra cá.. e porque primeiro ela?? Porque todo e qualquer produto sempre foi muito caro e os caras nunca foram bem intencionados, nunca se preocuparam realmente nem com o artista, nem com o público… mais claro que isso só propaganda do Itaú dizendo: “O Itaú foi feito pra vc”..

Vivemos O MOMENTO de turbulências e reavaliações de toda a estrutura corporativista, quem é atento ao movimento do vento sabe e consegue enxergar movimentos interessantíssimos brotando de todos os poros e pólos desse nosso Brasil.. e um deles vem daí!! Da música!! Do Fernando Anitelli e de tanta gente!!! É muito inspirador ver um cara como vc, que já conquistou bastante coisa no cenário, estar PENSANDO COLETIVAMENTE, mas os burocratas de plantão acho que nunca entenderão isso… por isso acho perda de tempo tentar convencer o Rick Bonadio de alguma coisa.. ele sabe muito bem o que quer, a muito tempo, não dará o braço a torcer.. a cabeça é outra, o coração também.

O PENSAR COLETIVO me interessa fortemente pois enquanto todos nós não entendermos que O AMOR É PRECISO, em todas as áreas, momentos, manifestações.. nada de fato acontece.. mas não o amor de propaganda de margarina, ou de financeiras, ou dos clássicos bancos instalados no Brasil.. EU FALO DO AMOR REAL!!! PASSARAM TANTO TEMPO TRANSMITINDO UM AMOR DE MENTIRA QUE HOJE AS PESSOAS TEM DIFICULDADE DE ACREDITAR NO AMOR REAL!!! MAS ELE EXISTE, É SÓ BUSCAR COM UM POUQUINHO MAIS DE FÉ QUE ELE AOS POUCOS VAI APARECENDO!!! E isso vale pra música, pra política, pro dia-a-dia dentro de casa, pra família, pras outras artes, pra todo e qualquer tipo de relacionamento. Parabéns pelo trabalho irmão, vou torcer e também participar dessa história toda, sexta estarei na festa do músicaprabaixá no CCPC. Muita luz e axé nos caminhos!!!!

APROVEITO P/ DIVULGAR A FESTA DO MOVIMENTO MÚSICAPRABAIXÁ, QUE ROLA ESSA SEXTA, EM SP – INFOS: http://musicaparabaixar.org.br/

E PRA FINALIZAR, UM VÍDEO DO FERNANDO ANITELLI falando sobre o assunto, se liga: 

QUERO SABER A OPINIÃO DE VCS SOBRE O ASSUNTO!!! O LANCE É URGENTE, REAL, VERDADEIRO.  CarlosCarlos


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4 responses

17 12 2009
Atila Pessoa

É hora de investir na visão da modelagem do mercado de nossos dias e projetar as tendências que provavelmente viveremos no porvir.
A idéia da cópia que começou nas fitas K7 já foi bandeira de Alceu Valença que dizia que o verdadeiro artista tem outras formas de ganhar dinheiro como nos shows e que a copiagem e a pirataria ajudariam de forma barata na divulgação destes trabalhos.
O Nordeste testemunhou um momento interessante com a reciclagem de músicos como o Beto Barbosa e o crescimento de Cláudia Leite com a força de cópias não autorizadas do áudio de seus shows em pequenos recintos. As gravações repletas de calor humano acabaram encantando o público pelas rádios dos interiores e milhares de CD´s nas praias.
Esta onde de copiar shows e sair do anonimato foi a alavanca fundamental para a dupla Bruno e Marrone e por aí seguem mais exemplos que de outra forma não teriam exponencializado o público em tão curto espaço de tempo sem os empurrões promocionais da TV.
Quem mais me marcou antes de conhecer o TM foi a banda Velhas Virgens, que fez selo e sistema de vendas de tão independente que estava com o mercado. No final a própria SomLivre vendia seus discos. Isso veio com efeito para fazer o que o Marcelo Nova não conseguiu sustentar nos anos 80 com o Camisa de Vênus e depois com a parceria com a Envergadura Moral.
Daí passo para o show dO Teatro Mágico que fui com minha esposa e amigos em Brasília. Simplesmente encantador. Eu não conhecia nada do TM, só que tinha um amigo que já conhecia tudo e insistiu em arrastar nosso grupo de amigos para testemunhar essa bela página de nossa MPB.
Eu fui me envolvendo, tentei gravar algo no celular… quando Ricardo me diz que não precisaria. Que eu poderia entrar no site e baixar todas. Era isso que faltava. Aquele show não cabia em nenhum CD ou MP3 ou DVD.
Como concatenar todos os elementos do palco, do figurino às acrobacias, com uma música variada, bem tocada, bem arranjada, cheia de influências e ao mesmo tempo tão original. Eu estava de frente à reciclagem de alto rendimento. Tudo coexistindo em função de uma proposta de mudança.
A mudança está muito ligada as minhas propostas pessoais e agir pelo mundo naquilo que me sinto responsável por realizar.
No fim, acabei baixando as músicas e conhecendo mais poeticamente o conjunto de interpretações que me permitiam evoluir no entendimento das letras. Nesse intervalo a minha filha de 5 anos já quase aprendeu todas as músicas e adora quando temos Youtube na TV para poder ver os fragmentos de shows disponíveis.
Esta semana nós fizemos uma primeira compra na lojinha da banda. E depois vimos como é claro que uma trupe organizada consegue resultados sustentáveis de grande satisfação quando se abre para essa nova realidade do mundo.
Hoje quase não alugamos filmes nas locadoras ou compramos CD´s. De fato, loja que vende CD está em extinção. O mundo está online, em baixações e cargas de dados com áudios, vídeos, fotos, textos… vivemos a economia de materiais e os produtos/serviços mais bem vendidos estão em modelo digital ou em carne e osso em cima do palco.
Por enquanto é isso. Ricks Bonadios sobreviverão até que um dia percebam que podem pensar diferente e mudar para melhor.
Parabéns a todos que colaboram para enriquecer essas discussões.

17 12 2009
O Teatro Mágico

[…] Por Carlos Carlos […]

17 12 2009
chã

Gostei de ver a atitude dele com o TM, apesar de não ser fã da banda, agora ganhou um ponto no meu conceito hehe… como já disse o Ian MacCay, o importante da musica, é que as pessoas tenham acesso à ela independente do meio… a questão é que sua mensagem, sua arte, seja alcançada, seja ouvida… e isso jamais pode se relacionar ao lucro, ao dinheiro.. é apenas uma consequencia. Quem faz musica por amor à musica não precisa de explicações… esses Bonadios da vida que estão nessa pelo cascalho é que devem entender o verdadeiro significado das coisas.
Viva a pirataria, viva o compartilhamento livre de musicas.. Viva os que fazem musica por amor. E chega de formulinhas mastigadas e refrões grudentos heheh
abraço

17 12 2009
Hannah

Apóio desde o começo o MPB e a tragetória do TM, buscando a verdadeira valorização da arte independente. Infelizmente, falta muita gente acordar pro amor e perceber que a arte – nenhuma forma de arte – pode se constituir visando o lucro, mas apenas a arte em si. Como disse a pessoa de cima, o importante é que seja alcançada por todos; a arte serve para enriquecer o que nos há por dentro, não o bolso de empresários.
Música para baixar é tão difícil de engolir quanto performance e teatro de rua. E tantas outras artes. Mas é só unidos, artistas e todos aqueles que apreciam e contribuem com as artes – os verdadeiros artistas – que podemos virar esse quadro.
E só únidos, irmãos, pelo amor à arte, pelo amor ao AMOR.

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