MCDONALD’S E OUTRAS CORPORAÇÕES: A MORTE INSTANTÂNEA DO SER

24 02 2011

Ao ler a matéria abaixo, o sentimento que vem a mim é tão peculiar, é algo tão óbvio dentro da minha linha de pensamento, que nada me assusta… pelo contrário, o texto está até leve perto do que uma multinacional ou qualquer grande corporação pode causar aos seres humanos.

O texto foi extraído do site do jornal “Brasil de Fato” (http://www.brasildefato.com.br) e trata da superexploração e abusos contra os funcionários de milhares de lojas McDonald’s espalhadas pelo país.

Se tem algo que sempre me chamou a atenção, é a forma que pessoas trabalham em grandes corporações: seja o que tem o mais baixo salário, seja o alto executivo, essas pessoas entram numa sintonia estranha e durante as horas de serviço passam a não ser mais um ser humano de fato, eles são obrigados a se comportarem como robôs. No caso do rico, faz como forma de aumentar seus lucros e contribuir com a distância imensa de desigualdade que existe no Brasil. No caso do pobre, faz por necessidade e por ver pouquíssimas opções a sua volta.

Nessas grandes empresas, qualquer tipo de questionamento por parte do empregado, qualquer atitude “suspeita”, seja por não se utilizar do linguajar “adequado”, seja pela vestimenta “inadequada”, seja pelas idéias “subversivas”, essa pessoa passa a ser uma ameaça a empresa e mais cedo ou mais tarde, acaba demitido. É, é triste assim, quem decide por ser o que realmente se é, acaba sendo excluído… na real acho até que isso é feliz.

Mas aí, você que está lendo esse texto, questiona: “Mas peraí… essas pessoas estão sendo pagas por isso, então, qual é o problema???”, obrigado por me fazer essa pergunta, sabia que vc não iria me desapontar…

É justamente aí que está todo o meu questionamento perante esses absurdos: será que vale se comportar como um robô por causa de um alto salário??? Será que o infarto que a pessoa terá em breve vai compensar alguma coisa??? Será que toda a opressão jogada na cabeça dos pobres pelos ricos vai ser de alguma valia?? Será que a imensa quantidade de sapos engolidos não vai causar uma indigestão mortal no funcionário?? É por isso que eu falo, esse sistema não funciona pra maioria, nem nunca vai funcionar…

Nós estamos vivendo num país onde a lógica capitalista impera, onde o normal é o gerente dizer o que disse no texto do jornal Brasil de Fato: “primeiro o rendimento, depois o funcionário…”. Desculpem, se pra vcs isso é normal, pra mim nunca será. E o pior é que esse gerente nem grana deve ter direito, mas a arrogância que lhe foi ensinada em anos de empresa, isso ele aprendeu direitinho.

Sempre fui considerado “inconveniente” ou “inadequado” por muitas pessoas pelo modo com que enxergo esse tipo de coisa. O fato é que elas não gostam de serem incomodadas em seus castelos de areia, ouvir verdades não é algo muito agradável e que eles apreciem.

Se vocês não acreditam no que eu estou falando, faça como eu, converse com o caixa do supermercado, com a atendente no banco, com o faxineiro na empresa… aí você verá se ele está satisfeito ou não… alguma satisfação pode vir por ter um emprego e um salário, mas isso não se chama satisfação, isso se chama alívio… a história é essa, não tem grana, morre… logo, será que existem pessoas felizes nesses lugares opressores???

Eu nunca me conformei nem vou me conformar com o sistema vigente e imposto em que vivemos. Talvez fosse até mais confortável, mas não faz o meu gênero… acredito na renovação da consciência crítica da maioria, o povo pobre brasileiro, forte e guerreiro, virando o jogo da história e tomando de assalto o que é seu.

Leia o texto abaixo e não se espante, tudo isso mora do seu lado e lhe é oferecido como esmola.

CarlosCarlos Bola & Arte

Segue texto do site do jornal Brasil de Fato:

24/02/2011

Michelle Amaral

da Reportagem

“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: ‘primeiro o rendimento, depois o funcionário’”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.

“Lá você não pode ficar parado, se sentar leva bronca”, relata Lúcio, de 16 anos, que há 4 meses trabalha em uma das lojas da rede na cidade de São Paulo. “Você não tem tempo nem para beber água direito”, completa José, de 17 anos. “Uma vez eu queimei a mão, falei para a fiscal e ela disse para eu continuar trabalhando”, lembra o adolescente. Maria, de 16 anos, ainda afirma que, apesar da intensa jornada de trabalho nos restaurantes, recebe apenas R$ 2,38 por hora trabalhada.

Os relatos acima retratam o dia-a-dia dos funcionários do McDonald´s. Assédio moral, falta de comunicação de acidentes de trabalho, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, extensão da jornada de trabalho além do permitido por lei e fornecimento de alimentação inadequada são algumas das irregularidades apontadas por trabalhadores da maior rede de fast food do mundo.

Somente no Brasil, o McDonald´s tem mais de 600 lojas e emprega 34 mil funcionários, em sua maioria jovens de 16 a 24 anos.

As relações de trabalho impostas pelo McDonald´s são objetos de estudo de muitos pesquisadores. Do mesmo modo, pelas irregularidades recorrentes, a rede de fast food é alvo de diversas denúncias na Justiça do Trabalho.

Em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp), ao longo dos anos, tem denunciado as más condições a que são submetidos os funcionários do McDonald´s.

Recentemente, resultou em uma punição ao McDonald´s uma denúncia feita há quinze anos pelo sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo. Trata-se de um acordo que, além de exigir o cumprimento de adequações trabalhistas, estabelece o pagamento de uma multa de R$ 13,2 milhões.

Desse valor, a rede de fast food deve destinar R$ 11,7 milhões ao financiamento de publicidade contra o trabalho infantil e à divulgação dos direitos da criança e do adolescente durante os próximos nove anos. Além disso, a rede deve doar R$ 1,5 milhão para o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O compromisso foi firmado em outubro de 2010 e passou a valer em janeiro deste ano.

As investigações realizadas pelo MPT a partir da denúncia do Sinthoresp confirmaram as seguintes irregularidades: não emissão dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT); falta de efetividade na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; licenças sanitárias e de funcionamento vencidas ou sem prazo de validade, prorrogação da jornada de trabalho além das duas horas extras diárias permitidas por lei, ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre duas jornadas e o cumprimento de toda a jornada de trabalho em pé, sem um local para repouso.

O MPT também apontou irregularidades na alimentação fornecida aos trabalhadores: apesar de oferecer um cardápio com variadas opções, o laudo da prefeitura de São Paulo reprovou as refeições baseadas exclusivamente em produtos da própria empresa por não atender às necessidades nutricionais diárias. Em relação à alimentação, o McDonald´s chegou a ser condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30 quilos. (A reportagem completa você lê na edição impressa número 417 do jornal Brasil de Fato).

*Os nomes dos funcionários citados na matéria são fictícios.



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