FILME “JENNIFER”, DE RENATO CÂNDIDO

18 09 2011

Há um tempo atrás eu fui no Sarau do Binho assistir ao filme “Jennifer”, de Renato Cândido. Eu já tinha ouvido ótimas referências do filme e estava curioso para o que eu iria assistir. E posso dizer que as referências estavam certas, gostei bastante do que vi, tanto pela parte técnica, como pelo conteúdo.

Tem algo nesse filme que a gente não consegue ver no dito “grande” cinema brasileiro: é o fato do filme ter sido todo realizado pelas mãos das próprias pessoas que nasceram, viveram e vivem nas quebradas aqui de São Paulo. Alguém pode dizer: “mas e o 5 X Favela: Agora por nós mesmos???”, e eu respondo: esse filme não foi realizado somente por quem vive nas periferias do Brasil, esse tipo de projeto sempre precisa do aval e dos toques de algum renomado diretor pra “endossar” a produção, ou seja, a palavra final é sempre de quem tem um olhar externo ao assunto. E muito mais do que isso: ele é todo empacotado para atender as demandas de mercado, fator que inviabiliza que o produto final que a gente assiste nas telas seja de fato autêntico, próximo, produzido e finalizado por quem de fato conhece o que está dizendo. Sempre tem alguém de outras classes sociais no meio e que estão atrelados a alguma outra lógica que não a de produzir sentimento puro nas telas.

O que é necessário pra se fazer um filme de qualidade e realmente feito por alguém que é e vive a quebrada??? Ser negro, ter nascido em condições de pobreza, levantar a bandeira de que é periférico??? Não, não, isso não basta… e é justamente por isso que o filme “Jennifer” é muito bom. Porque ele foi feito por pessoas que vivem a transformação em suas veias, acreditam em outros caminhos pro mundo, sabiam muito bem o que estavam fazendo e colocaram todo o coração no projeto. Eu sinto isso. Participei do debate após o filme e expus minhas opiniões, e a sensação foi tipo “como é bom ver um produto final desse na tela”.

Parabéns a todos os realizadores, guerreiros e lutadores do cotidiano!!!

(os processos, as raízes, os caminhos, as histórias… a elite sempre quis contar do jeito dela as versões… até hoje isso acontece demais no cinema brasileiro, seja com um “Carandiru” ou com um “Tropa de Elite”, mas o povo está cada vez mais atento para virar esse jogo… aguardem).

Assista ao trailer do filme:

Outra coisa: é incrível como a grande mídia não dá o apoio que merece a produções desse tipo. Na sociedade de celebridades em que vivemos, você precisa ter glamour e audiência antes de entrar em qualquer veículo de comunicação, ou seja, ali não dão oportunidade pra ninguém, mas se tiver vendendo e produzindo dinheiro, está dentro na hora.


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