QUANDO OS TORCEDORES PERDEREM A PACIÊNCIA – Texto de Crys Peres, da ANT

15 10 2011

Salve!! O texto a seguir foi escrito pela Crys, integrante da ANT – Associação Nacional de Torcedores e Torcedoras, movimento que o Projeto Bola & Arte também faz parte.

Esse texto nos faz refletir sobre os absurdos que estão acontecendo no estádios brasileiros, sobre a tal “higienização” que está em curso, na tentativa de transformar o futebol em esporte para poucos perfumados e endinheirados (infelizmente por enquanto estão conseguindo).

No caso das bandeiras, da festa, da alegria, faço das palavras da Crys as minhas palavras. Acontecia a mesma coisa comigo quando eu ia assistir aos jogos do Santos, enquanto meu pai e meu irmão estavam concentrados no jogo, eu não tirava os olhos da torcida, os ouvidos dos das letras das músicas e das batucadas e a íris das bandeiras sacudindo a cada gol ou na entrada dos times em campo.

A decisão do Geraldo picolé de chuchu Alckmin não me surpreendeu nem um pouco, eu já tinha falado para um conhecido que isso ia acontecer. Por ele, por aqui, festa nem pensar!!! Tem que peidar e não fazer barulho!!!

Enfim, salvem as bandeiras, salvem as festas nos estádios, abaixo a violência e viva a união verdadeira das torcidas!!! OS TORCEDORES UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!!!

Segue texto da Crys, extraído do site da ANT (http://www.torcedores.org.br):

Quando os torcedores perderem a paciência…

Comecei a frequentar os estádios de São Paulo para assistir os jogos do Corinthians ainda criança, tinha entre 7 e 8 anos. Nesta época confesso que para mim a maior atração do evento era a torcida, e não o time em campo (e é verdade que hoje em dia, em alguns momentos, isso ainda acontece). Ficava ansiosa com o dia de ir ao Pacaembu com a família, adorava a confusão do caminho, as barracas de lanche, descer correndo o gramado na lateral da praça…

Já dentro do estádio as atrações eram outras, mas tão empolgantes quanto as vividas do lado de fora. As crianças pulando de degrau em degrau da arquibancada, as famílias conversando no primeiro encontro como se fossem amigas há muitos anos (sim, ao contrário do que se diz, as famílias freqüentavam e freqüentam os estádios), aquele fuzuê. E chegava a hora de começar a cantar, as mãos em coreografia, as declarações de amor ao time, tudo sempre acompanhado da bateria. A entrada da bateria também era um acontecimento, uma festa, ainda mais quando ela passeava pelo estádio.

Mas um outro momento grandioso e que eu adorava era a chegada das bandeiras. Todas as torcidas tinham as suas, uma mais bonita que a outra. Me lembro bem da entrada das bandeiras da Camisa 12 no estádio. Apesar de não ser a maior torcida organizada, a marca do grupo era o número de bandeiras com mastros de bambu que possuíam. Quando começavam a entrar no estádio eu aplaudia e pulava. E a habilidade necessária para balançar as bandeiras? Ficava encantada com o esforço que faziam todos os responsáveis por esta tarefa no meio da multidão. Era lindo.

Quarta-feira (12/10/2011), minutos antes de entrar no jogo, ouvi a notícia que o governador Geraldo Alckmin vetou a lei que autoriza o retorno das bandeiras com mastro aos estádios – proibidas há 16 anos. Observei a quantidade de crianças que hoje não tem a oportunidade de assistir mais este espetáculo vindo das arquibancadas. É claro que as torcidas são criativas e sempre renovam, mas as bandeiras com mastros são uma marca da festa nos estádios.

A justificativa do governador é de que a volta das bandeiras aos estádios fere o Estatuto do Torcedor, pois os mastros podem ser objetos para prática de violência. Ora, dentre os verdadeiros freqüentadores de estádio o diagnóstico já está dado, o Estatuto do Torcedor não passa de um instrumento para criminalizar os amantes da cultura torcedora. Os frequentadores que não correspondem ao “ideal” para os estádios. Dizemos freqüentador “ideal” – entre aspas – devido ao processo em curso no Brasil de transformar os estádios em lazer para poucos, para endinheirados. Este já é um tema de debate aprofundado entre as torcidas organizadas e pela Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras (ANT).

Hoje precisamos aguardar pacientemente a decisão de supostos representantes do povo para mantermos nossa tradição cultural. Primeiro aguardamos um debate na assembléia legislativa e dependemos de uma maioria que sequer freqüenta os estádios de futebol para decidir se podemos ou não fazer festa. Depois aguardamos a decisão de uma única pessoa, o governador, que reafirma a idéia de que os torcedores não passam de animais prontos para atacar.

Diante deste cenário, parece que está na hora de atacar mesmo. Está na hora de perder a paciência!

Crystiane Peres – sócia fundadora da ANT/SP


Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: