BINHO, MOINHO, PINHEIRINHO. Por Marcelino Freire

1 06 2012

A seguir disponibilizo o belo texto do escritor Marcelino Freire, extraído do blog do mesmo, sobre o fechamento do Bar do Binho e a nossa luta pra não deixarmos que isso aconteça!!! Caso queira ver o post original, clique aqui.

Segue:

BINHO, MOINHO, PINHEIRINHO. Por Marcelino Freire.

Deve ser isto. Por este motivo. Descobri. Eles não gostam do diminutivo. Daquilo que nasce pequeno. E se agiganta. Daquilo que é fruto da teimosia. Da força de um povo. Gente que se apropria de espaços que ninguém dá valia. Gosta do que ninguém gosta. Por exemplo: de poesia. De arte na periferia. E que arte!

Há 15 anos o Sarau do Binho (foto), o mais antigo que temos, promove essa revolução. Guiada pelo coração do grande poeta. Pelo sonho que ele arquiteta para a sua comunidade. Binho é do tamanho da nossa cidade. Patrimônio de nosso país. Quem conhece o Binho sabe o que a minha alma diz. Entende por que, aqui, estou gritando. Mais uma vez inconformado.

Uma hora é o Moinho, noutra o Pinheirinho. Agora o Binho. Perdão se exagero na comparação. Mas é a verdade. Com o fim do Sarau do Binho muitas famílias ficarão igualmente à margem. Muitas conquistas despejadas. Mentes desarticuladas. Povo sem ter o que comer. Eu mesmo já me alimentei dessa energia. Bebi desta fonte vigorosa e rica. Quantos artistas por ali passaram. Fizeram circular ideias e palavras. Para além da mesa de bar.

Binho é um dos caras mais apaixonados que eu tive a honra de encontrar. Conhecer, assim, para valer. A toda hora ele tem um projeto para tocar. Porque acredita na paixão transformadora da literatura. Binho, sozinho, fez mais do que muitos governos juntos. Um verdadeiro trabalho de autoestima e de educação. De amizade e de comunhão.

É injusto – por problemas burocráticos que há tempo o Binho, junto a todas as instâncias, tenta resolver – que o Sarau tenha as suas portas fechadas pela prefeitura e a sua missão, assim, seja abortada, sua longa história interrompida. Todos perdemos com isto. Comecemos então desde já nossa mobilização. Quem disse que somos pequenos?

Somos grandes e fortes, meus amigos. E unidos – pela poesia – venceremos.


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One response

13 06 2012
Patrícia Costa Freire

Eu não acredito que isso possa acontecer. Parece que tudo que é arte nas periferias é sempre proibido, dura um tempo, mas depois incomoda e é banido. Não podemos deixar isso acontecer. Quem já esteve no sarau do Binho sabe que isso é uma grande perda.
Belo texto. Triste realidade.

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