MANIFESTO POR UMA POLÍTICA PUBIANA SUSTENTÁVEL, por Xico Sá

3 09 2012

Belo texto extraído do blog do Xico Sá. Vale a pena ler:

O exemplar histórico de 1985. Peça de colecionador

Durante a programação da “Casa TPM”, evento da revista idem realizado recentemente em SP, aproveitei a minha apresentação para ler um manifesto cabeludo.

De lá para cá, motivado pela sabedoria e leveza da Claudia Ohana, 49, ao lidar com a memória da sua clássica “Playboy” de 1985, passei a gillete-press no meu texto original e sampleei do inconsciente outros pontos esquecidos.

Recordar é viver: 15 anos depois de La Ohana, em 2.000, Vera Fischer sofreu o diabo. Os tempos já eram outros e os jovens -ah, esses moços, pobres moços, caro Lupicinio!- tiveram nojinho do sexo da super-fêmea. Em crônica para a revista, recordo, saí em defesa da deusa.

E chega de passado. Sem mais, eis meu libelo atual e pós-primitivista:

Pela Amazônia Legal das Moças.

Contra o desmatamento total das glebas. A não ser na primavera, para renovar a flora e fazer uma surpresa para um moço novo, ou uma nova moça, na sua vida.

Por uma política pubiana sustentável, apenas aparável, jamais beirando o semi-árido e as miragens do deserto.

Contra os desenhozinhos cabulosos. Este campo sagrado não é grama de arena futebolística para tais experimentações estéticas.

Lembre-se, Lola, do quadro “L’Origine du monde” (1866), sim, a origem do mundo, obra do realista Gustave Coubert.

Contra a devastação da cera negra espanhola e todas as outras técnicas colonizadoras que molestem as lolitas ou as lindas afilhadas de Balzac.

Por uma relva fresca todas as manhãs. Uma relva molhada pelos desejos noturnos e inconscientes. Uhn, aquele cheiro da aragem divina.

Contra o mundo limpinho que decreta o fim dos pelos púbicos. Sou da turma do contra. Por uma razão simples: sexo sem pelo (de tudo) não é sexo.

Tudo bem, o estilo consagrado na “Playboy”  da Claudia Ohana pode ter datado,  mas a falta total de pelo infantiliza muito o enlace amoroso.

Só há maldade e erotismo nos pelos. A depilação 100% sempre funcionou muito bem como um fetiche provisório, um presentinho ocasional ao amado. Não deve ser permanente como a revolução de Mao Tse Tung.

Onde estão o Greenpeace, o S.O.S. Mata Atlântica e todas as ONGs que não berram contra essa chacina ecológica.

Pela Amazônia Legal das Moças e os seus lindos estuários do desejo latente.

Pela exploração táctil e oral do relevo, das reentrâncias, dos riachinhos que deságuam nos mares nunca dantes.  Todos os mistérios guardados além muito além dos pelos.

Contra os trocadilhos para dar nomes às casas de molestamentos depilatórios. “Pelo menos”, “Muito pelo ao contrário”, “Pelos melhor não tê-los” etc.

Contra o sexo limpinho. Contra a corrida para o banho depois do gozo.

A favor de guardar o cheiro dela na barba, o dia inteiro, o que aliviará as dores do mundo no passeio do cavaleiro pelas calçadas.

Pacaembu, São Paulo, 2012, ano da graça do centenário do gênio Nelson Falcão Rodrigues


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