CACIQUE AMBRÓSIO PRESENTE!!! MAIS UMA LIDERANÇA INDÍGENA ASSASSINADA NO MS SOB A OMISSÃO DO ESTADO BRASILEIRO

4 12 2013

Por CarlosCarlos

A seguir, divulgamos nota oficial do Tribunal Popular, movimento social que luta pelos direitos históricos negados aos povos originários brasileiros, sobre mais um assassinato de uma liderança indígena no MS. E assim corre o barco, enquanto o governo brasileiro continuar se omitindo frente às demarcações das terras indígenas, este mesmo governo será também responsável por toda essa chacina existente nessa terra manchada com sangue.

O Blog Bola e Arte se solidariza com o povo Guarani Kaiowá e reproduz nota do Tribunal Popular a seguir:

NOTA TRIBUNAL POPULAR: O ESTADO BRASILEIRO NO BANCO DOS RÉUS
ESTAMOS DE LUTO! SEGUIMOS NA LUTA!

Na noite deste primeiro de dezembro de 2013, mais uma liderança Guarani Kaiowá é assassinada em Mato Grosso do Sul (MS). Dessa vez, tombou o Cacique Ambrósio Vilharva, lutador dos direitos dos povos indígenas.

Nos próximos dias, é certo que leremos nos jornais e assistiremos na TV, tentativas forjadas para explicar a morte do cacique – personagem principal do filme “Terra Vermelha” (2008), que retrata a luta do povo Kaiowá e Guarani em MS e sujeito histórico do combate cotidiano entre indígenas e latifundiários-capitalistas no Estado. Independentemente de qual caminho essas investigações vão tomar, é fato que as mortes que hoje acontecem em MS têm a anuência do Estado brasileiro que torna-se cúmplice dessa barbárie ao não demarcar as terras do povo Kaiowá e Guarani e todos as demais reivindicadas pelos povos tradicionais no Brasil.

A terra do Cacique Ambrosio, Aldeia Guyraroká, localizada no município de Caarapó, a partir da década de 1990 foi declarada como Terra Indígena pela Funai e desde então a área de aproximadamente 11.440 ha nunca esteve sob posse dos indígenas, mesmo depois da Portaria do Ministro de Estado da Justiça n° 3.219, de 2009, que garantia justamente a posse permanente da área.

Os Kaiowá e Guarani, hoje, não ocupam mais que 50ha da área total de Guyraroká. Ao mesmo tempo, convivem com a produção de soja e cana-de-açúcar, cultivadas para exportação em suas terras originárias.

Com base no zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, o MPF já solicitou o fim dos financiamentos públicos para as empresas que produzem nas Terras Indígenas, bem como a imediata interrupção das referidas produções. Tratam-se de monopólios mundiais, como é o caso da Cosan, a maior companhia do chamado agronegócio brasileiro. Em MS, por exemplo, a “Unidade Produtora de Caarapó”, conhecida como Raízen, uma junção da Shell e Cosan, produz e processa a cana-de-açúcar em Guyraroká.

Os crimes contra os direitos humanos são inumeráveis. e de modo incontestável a não demarcação das terras indígenas deixa em permanente estado de tensão estas áreas, sejam as regiões de retomada ou as cidades do entorno das terras, que apresentam um crescente ódio contra os indígenas.

Ódio e racismo que são alimentados por muitos dos senhores da guerra, que vivem amparados pelos direitos sagrados do agronegócio, que se organizam em uma bancada no congresso nacional de mais de 130 deputados que defendem publicamente o genocídio dos povos indígenas. Estes mesmos senhores que anunciam para o próximo dia 07 de dezembro a realização de um leilão de gado, para armar suas milicias. Estes mesmos senhores, como o Sr. Deputado Estadual José Teixeira, integrante do Partido Democratas (DEM), que se reivindica proprietário de parte das terras que constituem a Aldeia Guyraroka e tem seu filho e capangas acusados pelo MPF, por homicídio doloso de uma criança Kaiowá e Guarani de 4 anos, expulsa junto aos seus parentes pela lei da bala de seu território ancestral. Até hoje o caso não foi julgado. Mais uma morte que se soma a impunidade que vivemos.

Não é possível que o Estado brasileiro não seja também responsabilizado pelas mortes do Kaiowá e Guarani em MS e por todos os demais crimes contra os povos indígenas. Este etnocídio coloca o Brasil no topo dos maiores violadores de direitos humanos do mundo.

Por fim, mais uma vez (e sempre!) o Tribunal Popular, se solidariza com o povo Kaiowá e Guarani e todos os povos indígenas do Brasil e exige a imediata demarcação e homologação de todas as terras de todos os povos em nosso país!

CACIQUE AMBRÓSIO PRESENTE!!!

Tribunal Popular: O Estado brasileiro no banco dos réus.

GUY_FINAL


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