A CERVEJA NOSSA DO DIA-A-DIA NÃO É CERVEJA? SÉRIO? E É FEITA DE MILHO TRANSGÊNICO?

13 03 2014

Por CarlosCarlos

Não faz muito tempo, há alguns meses atrás, eu fiquei sabendo de uma notícia que me assustou: a cerveja que a gente bebe é fabricada com milho, e muito provavelmente, com milho transgênico. Pra quem não sabe o que é um alimento transgênico, é um alimento geneticamente modificado, e que é produzido dessa forma por ser mais lucrativo para os produtores, grandes multinacionais que não ligam o mínimo pra sua saúde, e sim pro bolso deles. Importante dizer que antes de assolar o mercado com esse tipo de alimentos de plástico, as grandes corporações não se deram ao trabalho de fazer uma pesquisa decente sobre os malefícios que a ingestão desses alimentos podem causar (mas pesquisas feitas por cientistas com ratos, mostram que a coisa é bem preocupante, você lerá mais abaixo).

Desde que fiz uma reportagem pela TVT sobre os transgênicos… (veja):

… comecei a ficar mais atento para não ingerí-los, apesar de hoje ser praticamente impossível ficar totalmente livre deles. Mas quando fiquei sabendo que até a (caríssima) cerveja do dia-a-dia é transgênica, fiquei alarmado.

Na reportagem que fiz, foi abordado o fato da bancada ruralista no Congresso Nacional fazer lobby para retirar dos alimentos o “tezinho amarelo” que alerta que aquele é um alimento transgênico. Por que será que eles querem tirar, né?? Se fizesse bem, qual seria a preocupação deles?

E o pior é que é uma identificação bem pequena e que, pasmem, não contém em todos os transgênicos, por exemplo, hoje sabe-se que as cervejas e alguns cereais são feitos com transgênicos mas não tem a identificação, por que será?

Veja o pequeno “T” amarelo:

t de transgenico

Vc sabia que até o clássico Doritos e todos os salgadinhos atuais são transgênicos?? Veja o “tezinho amarelo” no canto inferior direito:

doritos transgenico

E chiclete? Até chiclete!! (reparem no canto inferior esquerdo):

chiclets_transgenicos:

Óleos de cozinha, cereais matinais, cervejas, cada vez mais não temos alternativas por conta da ganância de poucos privilegiados (financeiramente falando).

Me pergunto: se a Rede Globo e todas as suas comparsas são tão preocupadas com a tal “ética jornalística” e com o bem geral da população, por que eles não informam pelo menos 1% de toda essa estranheza, desse jogo que acontece nos bastidores, por debaixo do pano?? Talvez porque não querem incomodar seus chefes, aqueles que pagam os seus salários e sustentam esse antigo jogo sujo de mídias como sustentáculos do poder e da desigualdade.

Há muito o que se dizer sobre esse assunto, mas por enquanto ficarei por aqui, até porque esse post foi feito para divulgar o artigo do Flávio Siqueira Júnior e da Ana Paula Bortoletto, que explicam melhor sobre as falsas cervejas que ingerimos hoje em dia. O artigo saiu originalmente no sítio do Outras Palavras.

O Flávio  é advogado e ativista de direitos humanos e foi entrevistado por mim na reportagem que eu postei acima.

Leiam o artigo e repassem pra o maior número de pessoas que puderem:

140306-Milho

Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e podem estar levando à ingestão inconsciente de OGMs

Por Flavio Siqueira Júnior e Ana Paula Bortoletto

Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.

Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.

E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.

Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.

Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.

Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.

Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos porMonsantoSyngentaBasfBayerDow Agrosciences e Dupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.

Tudo bem, mas e daí?

E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendossurgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.

Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)

Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?

Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.

Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”

Vai uma, bem gelada?


Ações

Information

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: