REDE GLOBO E SEU “AMOR” PELO POVO BRASILEIRO

2 08 2011

Há tempos que eu falo dos malefícios que a Rede Globo causa a sociedade brasileira, mas nem sempre sou ouvido. O post a seguir, extraído do blog O Provocador é só mais uma das “peripécias” que essa tão amada corporação midiática faz em prol de seus próprios interesses… “Um caso de amor com você, um caso de amor com o Brasil“….. Reflita.

Segue:

Globo pega R$ 30 mi para festinha da Copa

Depois dizem que é implicância. Mas caramba, a Globo vai receber R$ 30 milhões para organizar o evento em que será realizado o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. Quem vai pagar essa conta? Adivinha? A iniciativa privada? A Fifa? As empresas fantasmas de Ricardo Teixeira? Vai ser o governo do Estado e a prefeitura do Rio de Janeiro? Dinheiro público!

É o fim da picada. É muita cara de pau. É um descalabro. Perderam completamente o pudor. Por que o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes resolveram sangrar os cofres do povo para patrocinar um evento que deveria ser pago pelos donos da festa, a Fifa e a Globo? Por quê? Por quê?

Enlouqueceram? Claro que não. Essa turma faz isso há décadas, debaixo do nosso nariz. Todo mundo sempre soube que a conta toda dessa Copa do Mundo ia sobrar para o Estado brasileiro. Mas eles não precisavam exagerar. Faltou um mínimo de decência.

Os R$ 30 milhões pagos pelos contribuintes servirão para remunerar a Geo Eventos, empresa das Organizações Globo e do Grupo RBS. Ela foi contratada com exclusividade pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 para conseguir patrocínios para a tal festinha, a ser realizada dia 30 de julho.

Dizem os representantes da Geo que foram ao mercado e não encontraram nenhuma empresa interessada em por a mão no bolso. Duvido. Foram direto aos amigos de sempre, na certeza de que seriam atendidos, sem nenhum esforço. E cabe a pergunta: se ninguém se interessou em patrocinar essa bagaça, por que logo o governo do Estado e a prefeitura teriam que se meter a trouxas?

Quando vierem as próximas enchentes, quando outro bueiro explodir, quando algum turista for assassinado na orla, quando houver um novo arrastão no Túnel Rebouças, todos temos a obrigação de lembrar como é usado o dinheiro dos cidadãos cariocas e fluminenses. Tá vendo como esse pessoal se liga em você?





ENTREVISTA DA REVISTA FÓRUM COM FERNANDO ANITELLI, DO “O TEATRO MÁGICO”

24 07 2011

Li a entrevista a seguir e achei muito foda. Conheço pessoalmente os dois envolvidos, o entrevistador e o entrevistado. O Renato Rovai, da Revista Fórum foi preciso e direto nas questões que levantou e o Fernando Anitelli, do “O Teatro Mágico”, foi direto e esclarecedor sobre diversos assuntos, entre eles verdades sobre a decadente Indústria Cultural. Fico feliz em saber também que tanto o Fernando quanto o Gustavo Anitelli (irmão dele e produtor da banda) curtem muito o Bola & Arte, programa que eu realizei durante um ano no fundo da minha casa e que o projeto continua com esse blog que vc acessa nesse momento.

Acredito que o Anitelli é inteligente e tem um grande talento pra empreender essa luta do Movimento MPB – Música Pra Baixá e tenho certeza que ele precisa de todos nós pra fazer essa onda crescer.

CarlosCarlos – Bola & Arte

Segue entrevista (não é muito longa, as respostas estão bem diretas, vale a pena reservar um tempinho):

Fernando Anitelli, do Teatro Mágico, ataca a indústria cultural e defende a opção pela internet como meio de conquistar o público

Por Renato Rovai

O Teatro Mágico é um dos fenômenos musicais mais instigantes dos últimos tempos, principalmente porque seu sucesso decreta de alguma maneira um final para o clássico modelo da indústria musical. A banda que vem de Osasco (cidade industrial da zona Oeste paulista) optou por não se vincular a nenhuma gravadora, se recusa a pagar jabás para tocar nas rádios e pede para o público piratear o seu trabalho na internet.

A fórmula deu tão certo que seus shows estão sempre lotados; mesmo podendo ser baixados gratuitamente, seus CDs são vendidos às dezenas nos shows e suas turnês são cada vez mais requisitadas. Como exemplo, em outubro, o grupo fez três shows no Memorial da América Latina, em São Paulo, cidade na qual já se apresentou dezenas de vezes nesses seis anos de estrada. Aproximadamente seis mil pessoas assistiram ao espetáculo. Tudo sem esquemas com rádios ou TVs. Os instrumentos de divulgação utilizados foram, principalmente, as redes sociais, entre elas o Orkut e o Twitter, onde o Teatro Mágico tinha 14 mil seguidores quando do fechamento desta edição.

O mais interessante ainda é que a trupe não está contente apenas com o sucesso do grupo. Eles querem fazer política cultural e por isso, com outros músicos, criaram o movimento Música Pra Baixar (MPB), que discute, entre outras questões, a política de direitos autorais, a prática do jabá e a necessidade de garantir o acesso do público à produção cultural.

Fernando Anitelli, vocalista e principal letrista, explica um pouco disso tudo a seguir, em que se encontram editadas 2h15 de uma agradável conversa.

Fórum – Conte-nos sobre a formação do grupo e qual a relação dela com sua história pessoal.
Fernando Anitelli –
Bom, sempre me envolvi com a área de Humanas e sempre gostei de interpretar, de me comunicar, de poder brincar. Desde moleque gosto muito de música e de teatralizar. Fazia parte do grupo dominical da igreja, sou de uma família evangélica. E musicalmente aprendi muito lá, pois passávamos o fim de semana inteiro tocando. Lá tinha uma bateria, um baixo, instrumentos para o grupo de jovens. Foi uma experiência de troca, colaborativa, ninguém sabia tocar nada, mas a gente foi aprendendo ao mesmo tempo em que formava a banda. Aprendi a tocar bateria, depois comecei a tocar violão. Esse foi o âmbito familiar onde cresci. A partir disso, comecei a frequentar um sarau que acontecia na rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, com o grupo cultural Elenco (no extinto Espaço KVA). Ali foi onde despertei para toda essa questão.

Fórum – Em que ano foi isso?
Anitelli –
Foi lá por 1996. Tive a oportunidade de conhecer muita gente que escrevia música e tinha as mesmas dificuldades que eu de entrar no mercado de trabalho. No período em que acontecia o sarau, o forró universitário deu uma despontada. Foi lá que apareceram o Falamansa, o Circuladô de Fulô, o Peixe Elétrico, mas havia outros artistas que não participavam dessa coisa do forró e também estavam ali. Nós víamos que estava acontecendo esse movimento, mas o nosso era outro. A gente pensava na nossa carreira, em fortalecer as raízes, em outra maneira de fazer música. Não pensávamos apenas no sucesso momentâneo.

Essa vivência nesse contexto de troca, de compartilhamento, quando você está no sarau, um faz poesia, o outro entra com a música que tem a ver, e um outro ainda entra com a dança e que parece a poesia, essa experimentação de troca, de abrir espaço para a criação do outro, fez coisas maravilhosas aconteceram. Foi a partir disso que pensei: por que não levar essa experiência do sarau, de misturar as coisas, pro mesmo palco? Como montar algo assim? Foi aí que pensei no Teatro Mágico.

Fórum – Mas o Teatro Mágico tem também um forte componente circense, como se deu a ideia de levar essa lógica do circo para o show?
Anitelli –
Estava lendo O Lobo da Estepe, do Hermann Hesse, e há uma passagem em que o personagem se encontra com seus personagens interiores. Ele descobre sua pluralidade e descobre que o homem não é só homem ou lobo, ele é uma junção infinita de personagens que vai escolher interpretar em diferentes dias. Isso me fez pensar em que personagem seria capaz de traduzir essa instabilidade, esse caos interior. E a resposta que encontrei foi o palhaço. Desde a época da Commedia Dell´Arte [hiperlink – A commedia dell�arte se iniciou no século XV na Itália e se desenvolveu na França, onde se manteve popular até o século XVIII. Era uma forma de teatro popular improvisado e se opunha à “Comédia Erudita”] , o palhaço sempre representou o caos no contexto onde ele está. Se você perguntar se ele sabe andar na corda bamba com uma melancia na cabeça, ele fala que sim, mas não sabe. Ele vai lá e se joga. O palhaço é sempre disposto. Ele é gatuno, malandro, mas é inocente, chora. Essa pluralidade de coisas, do próprio bufão, o bobo da corte, sempre foi a lógica do palhaço.

Fórum – Quando foi a primeira apresentação do Teatro Mágico?
Anitelli –
No dia 13 de dezembro de 2003 realizamos a primeira apresentação do Teatro Mágico, que teve 3h30 de show. Foi no Café Concerto Uranus, que fica na Santa Cecília. Parece um lugar velho e acabado, mas quando você entra é um lugar fabuloso. Eu falava pra caramba ao microfone, tinha mais de 40 pessoas vestidas de palhaço no palco, subindo e descendo. O público não sabia quem era quem, os próprios músicos não sabiam.

Fórum – Pelo que estou entendendo vocês montaram o primeiro show sem ter uma banda?
Anitelli –
O Teatro Mágico era pra ser um CD de voz e violão. Comecei a gravar, com voz e violão, algumas poesias e a ideia era que a pessoa ouvisse o álbum e sentisse que o que ela estivesse ouvindo poderia acontecer na sala da casa dela. Usamos garfos, facas e panelas como percussão, coisas do cotidiano da pessoa para ela pensar que estava ouvindo um sarau que poderia acontecer na sala da sua casa. No meio do caminho, achei que cabia um contrabaixo, um violino, uma bateria… Quando fui ver, mais de 30 pessoas participaram da gravação do CD. E na segunda fase, que era a da execução, juntei alguns amigos que participaram do álbum, alguns que não participaram, outros amigos do sarau, do teatro, e os que não sabiam nada. De repente éramos 40.

Fórum – Eram 40 pessoas no palco, mas quantas na plateia?
Anitelli –
Umas 300. Amigos do sarau, do teatro, amigos que trabalhavam comigo no banco, amigos que esperavam o CD sair (saiu no dia 13 de dezembro de 2003, no mesmo dia do primeiro show). E ainda o povo que me conhecia da banda Madalena 19 e que esperava esse CD sair também.

Fórum – Antes da entrevista você contava que hoje só no site da Trama e do Palco.mp3 já foram feitos mais de 1 milhão de downloads de músicas do Teatro Mágico. Vocês conseguiram muita coisa em menos de seis anos. Na sua visão, isso tem a ver com a opção pela internet como aliada na divulgação?
Anitelli –
Percebemos que não poderíamos ficar atrelados à lógica do mercado quando eu fazia parte do Madalena 19 e tocava no Elenko. Naquela época, assinamos um contrato com a Cascatas Records. Eles mandaram a gente para um estúdio e gravamos nove músicas. Quando estávamos gravando a 10ª, o dono ligou e falou que gostaria que tocássemos as canções em formato de forró universitário e ska. Respondi que aquilo não tinha nada a ver com nosso trabalho, mas ele insistiu que deveríamos refazer as gravações. Discutimos e nossas músicas foram engavetadas. Tínhamos um contrato e durante três anos não pudemos soltar nenhuma música pela internet, nos apresentar, distribuir e vender nada. Ao mesmo tempo não recebemos nada por isso também.

Como fomos engavetados, não tínhamos material para divulgar e nem como divulgar. Estávamos presos a eles e não tínhamos recursos pra gravar outro CD e colocar na praça. Mas aí, o seo Odácio, o meu pai, indignado vem um dia e me diz: “Meu filho, é um absurdo saber que um trabalho que você vem buscando a sua vida toda, desde sua adolescência, não pode ser divulgado por causa do contrato. Por isso, coloquei todas suas músicas na internet para que as pessoas possam conhecê-las”. Esse gesto de amor de um pai, querendo que as músicas do filho fossem livres pro público conhecer, de certa forma, deu a essência de todo nosso trabalho futuro. Isso foi em 1999, por aí.

Fórum – Esse processo de liberar as mídias pela internet ainda era muito recente, podemos dizer que seo Odácio foi um visionário radical?
Anitelli –
Ele sempre foi. Aí, com as músicas na internet, ele ficava buscando no E-mule, no Kazaa, vendo se alguém as tinha baixado. Foi nesse período que decidi sair do Bradesco, onde trabalhava, e viajei para os EUA pra ser garçom, trabalhar como músico e levantar uma grana para gravar meu CD de maneira independente, autônoma. Foi também nessa época que, em uma outra conversa com o meu pai, disse brincando que “os opostos se distraem”, pois quando nossa proposta de música não se encontra com a do dono da gravadora e ele não tem disposição pra gravar, acontece isso. Mas meu pai retrucou: “então os dispostos se atraem”.

Foi o hai-kai mais bacana que tinha ouvido. Na minha cabeça ficou claro que quem eu precisava buscar era o público. Eles é que iriam ouvir nossa música e divulgá-la. Não era mais o cara do rádio, da gravadora ou o jornalista que iria fazer isso. Por isso, no dia do lançamento do Teatro Mágico, todas as músicas já estavam no site. E o dia do primeiro show também foi o dia do lançamento do CD, do site etc.

Fórum – Enquanto você contava a história lembrei da cena do filme Dois Filhos de Francisco, em que o pai ligava do orelhão para as rádios para pedir que elas tocassem a música dos filhos. Isso não daria resultado hoje, né?
Anitelli –
Não, não aconteceria nada. Inclusive já mandamos nosso material para todas as rádios, todas as TVs, e ninguém coloca nosso material na programação. Uma vez ou outra, aparecemos em alguma rádio. Então, o seo Odácio é o Francisco moderno.

Mas, na verdade, jogar só a música na rede para ela se juntar à nuvem de informação não é o suficiente, porque ela vai se perder. Como alcançar o público? A gente fazia temporadas e um show a cada 15 dias no mesmo local onde divulgávamos o CD. Ao pagar a entrada, a pessoa já ganhava o CD. Queríamos divulgar o álbum, pois uma pessoa com ele na mão já acarreta em mais duas ou três que vão ouvi-lo. Se o cara gostar, vai ouvir em casa, com a família, na escola.

Fórum – Vocês não tinham vínculo com nenhuma gravadora nesse momento?
Anitelli –
Não. Depois dessa história da Cascatas Records nunca mais tivemos vínculo com nenhuma gravadora. Percebemos com as temporadas que tínhamos tempo de divulgar o trabalho. Participávamos do sarau e fazíamos cortejo por Osasco e pela Vila Madalena, o que deu uma raiz forte ao projeto. Passamos a ser o grupo de Osasco que liberava as músicas na internet, que liberava os CDs nas temporadas. Aliás, gravados na minha casa. Mais de três mil CDs foram feitos assim, a gente deu muitos deles e também vendíamos a preços acessíveis, no início, por 10 reais. Mas saíam só dez por show. Aí o Gustavo [Anitelli, irmão do Fernando e atual produtor do grupo] entrou no Teatro Mágico e já chegou dizendo que o CD tinha que ser mais barato. Passamos a vendê-lo por 5 reais. Nos lugares mais periféricos, mais humildes, a gente vendia por 1 real, às vezes dávamos. Essa lógica de espalhar a música, de ela se tornar um vírus do bem, distribuída na rede, pelo CD a preço acessível, passou a ser nossa bandeira, nosso carro-chefe.

Fórum – A estratégia utilizada pelo grupo foi bem sucedida, indo contra a corrente do mercado musical e cultural. Isso no início era mais para quebrar as correntes e mostrar o trabalho ou também era uma concepção política?
Anitelli –
Era um pouco dos dois. Precisávamos quebrar as amarras para entrar no mercado, porque senão não tínhamos nem como existir. Não é à toa que os programas dominicais enchem o povo brasileiro de lixo. Você sabe, por exemplo, que por trás do É o Tchan foi investido 1 milhão de reais para que eles acontecessem? Acho que tem que ter todo tipo de música, todo timbre, inclusive o do É o Tchan, mas não pode ter só aquilo. Quebrando essa amarra, percebemos que aquilo era a nossa única alternativa, nossa bandeira. Fortalecemos essa ideia, amadurecemos, espalhamos e instalamos esse movimento.

Fórum – Há quem diga que essa proposta vale para o Teatro Mágico, mas que não serve como fórmula. Essas mesmas pessoas dizem que o direito autoral é necessário e que não dá para se sustentar através de shows, por exemplo. Queria que você falasse um pouco disso.
Anitelli –
Em relação ao direito autoral o que acontece é uma falta de informação dos músicos sobre o que de fato ele é. São milhares de músicos desinformados no país, que anseiam o estereótipo, que querem alcançar a fama. Quem ganha com direito autoral hoje em dia são as pessoas amarradas dentro desse modelo de negócio antigo, que visa à questão do jabá, da veiculação nas rádios, de compra de espaços nas TVs. Essas 100 músicas mais tocadas recebem recolhimentos, direito conexo etc. Nunca vi um fórum de debates, uma oficina para informar os músicos como é que se dá o recolhimento do direito autoral. Tirando gente como Zezé di Camargo, poucas pessoas se beneficiaram de direito autoral. O Teatro Mágico está há três anos fazendo certo sucesso de público e até hoje não tocamos nas rádios. Por quê? Porque não pagamos jabá. Fomos convidados a pagar, já passaram preços de jabá pra gente, mas isso é crime e a gente não paga. Rádios e TVs são concessões para trabalharem a comunicação para o público e, infelizmente, isso não acontece. Falta o músico entender que quem lucra com direito autoral são as editoras e as gravadoras.

Fórum – Vocês se financiam só a partir dos shows?
Anitelli –
A gente também tem produtos. Por exemplo, vendemos o CD a 5 reais em um saquinho. Numa versão mais elaborada, com encarte e na caixinha, ele custa 10 reais. O DVD é vendido por 15 reais. Já as camisetas variam de preço, em função do modelo, do número, do estilo, e conseguimos vender porque o preço é acessível. A venda direta garante um preço bom e algum lucro. E quem vende os produtos no show é o meu pai. Só conseguimos fazer dinheiro com o que vendemos na lojinha e com o pessoal que paga para ver o espetáculo. É isso que sustenta o escritório, os 12 artistas que participam do projeto, a nossa equipe técnica, alimentação, transporte, o site, advogado etc. Criamos também a meia-entrada quando o pessoal não leva a carteira de estudante, mas um alimento. O Teatro Mágico, acho, é a única banda que acumula quase 1 tonelada de alimento por mês. Com 10 a 15 shows mensais, como fazemos, arrecadamos quase isso de alimentos.

Fórum – O que fazem com esse alimento?
Anitelli –
Eles são doados para orfanatos, asilos, hospitais. E quem os distribui e o próprio público, que se organiza para isso. É fabuloso saber que a gente está construindo isso com o público.

Fórum – O que você acha da política no Brasil?
Anitelli –
Sou um cara de esquerda. Sempre estive voltado para esta questão de me inserir dentro dos contextos das minorias, que na verdade são maiorias. O Lula vem fazendo um ótimo governo em muitos pontos, no que diz respeito aos Pontos de Cultura, da própria educação, da fome, da alimentação. Tudo isso é muito interessante e bacana. Lógico, muitos podres no meio do caminho, mas acho que estamos vivendo um momento muito importante. E com Olimpíadas e a Copa as atenções estão todas voltadas pra cá. Temos que estar envolvidos na política, estar contextualizados. Não podemos achar que política é algo que acontece lá longe. Cada um é responsável, sim, indiretamente, por simples mudanças, possíveis movimentações. Tenho essa visão e sempre fui um cara que votei no PT. Também tenho boas relações com o PSOL e com a esquerda em geral. A minha visão sempre foi essa de poder trabalhar nesse campo mais progressista.

Dentro do possível, o movimento MPB, Música Pra Baixar, é o movimento mais político que o Teatro Mágico conseguiu trazer à tona para o seu público e de maneira acessível. Mas não pode ficar só na nossa mão. A gente resolveu construir esse movimento para poder cada vez mais politizar nosso público e potencializar essa discussão para além do Teatro Mágico. Precisávamos dar uma direção para isso e encontramos essa direção por meio do MPB.

Fórum – Qual a sua opinião a respeito da mídia comercial tradicional?
Anitelli –
As mídias comerciais tradicionais vivem querendo criar novos talentos, novos sucessos. Por isso, um monte de gente se tranca em uma casa ou num sítio e sai de lá artista, achando que é uma pessoa representativa. É porra nenhuma! Não traz nada de debate, não contribui com nada. O artista autônomo é outra coisa, ele traz consigo o debate. É militante. Não sou artista, sou militante da música. A gente tem que pensar assim, até porque o artista já começa a ter um significado pejorativo hoje.

Alguns colocam 50 pessoas na plateia em lugares onde colocamos 2,5 mil. O Lobão outro dia, em São Paulo, tocou para 400 pessoas. Nós fechamos três dias com seis mil pessoas no Memorial da América Latina. E esgotou tudo. E aí o Lobão é mainstream e o Teatro Mágico, não? O Lobão tem uma boa história e é um ótimo compositor e até ficou longe das gravadoras por vários anos, quando tentou trazer a numeração do CD e batalhou pela independência. Mas ao mesmo tempo só fez isso porque foi chutado da gravadora. Ele não surgiu independente, como o Teatro Mágico e outros grupos que escolheram a independência como projeto. Tanto que hoje voltou pra Sony e passou de novo a defender esse mercado. Outro dia, no Campus Party, falou uma besteira gigante na mesa em que estava. Eu me apresentei e perguntei o que ele achava do jabá. Ele disse que como já somos famosos na internet, uma gravadora poderia aceitar nos contratar e pagar o jabá pra gente. Retruquei dizendo que jabá é crime e que ninguém deve pagar isso, nem a gravadora nem o artista.

Fórum – Além do Lobão, o Fred Zero Quatro também tem assumido uma posição diferente da de vocês em relação ao Música Pra Baixar.
Anitelli –
É uma coisa natural, a resistência ao novo. Todas as mudanças, todas as conquistas tiveram briga, porrada, palavrão. É sempre desse jeito. Acho que os jovens sempre estiveram contextualizados nas principais mudanças históricas. O Fred fez esse comentário a partir de uma ótica da história dele. Encontrei com ele no aeroporto e ele me disse que em Recife sempre ficaram à margem de muita coisa. E que não tinham como entrar no contexto do cenário musical nacional. Foi justamente através de uma gravadora, a Banguela Records, do Miranda e dos Titãs, que conseguiram chegar ao resto do país, que conseguiram instrumentos e chegaram à MTV. E isso num momento em que a internet não era tão forte.

A MTV, naquela época, ainda era um canal de TV que prestava. Que até tinha alguma novidade. Hoje em dia, o cara que inventou o YouTube acabou com a MTV. Daí a emissora tem que inventar programas de debate, usar apresentadoras gostosas, essas coisas. Porque ninguém mais vê. Ninguém mais espera um dia inteiro para que um VJ semi-engraçado fale se sua música vai tocar ou não. Além disso, a MTV aparece com o VMB como a festa da música brasileira. Podia se chamar a “festa do jabá nacional”. É impossível fazer uma festa da música sem chamar Gog, um baita rapper, e sem ter Silvério Pessoa. Nós do Teatro Mágico também nunca fomos chamados. Mas também nem quero e não iria.
Agora, me explica, como o melhor artista do ano pode ser o Fresno e a outra banda é o NX Zero, e todas são do mesmo empresário? Que coincidência, né? Já está claro que tudo isso é armado. É uma festa para promover pessoas que não fazem diferença nenhuma na música brasileira. Acho importante trazer esse debate à tona. Parabéns à gravadora que investiu em dois grandes artistas, o Chico Science e o Mundo Livre S/A, mas hoje em dia todo o mecanismo de comunicação que você precisa está às mãos. O grande segredo é não parar de produzir.





NOVA MATÉRIA DE CARLOSCARLOS NA TVT: A ALTA NO PREÇO DO CAFÉ

12 04 2011

Mais uma matéria minha pro Seu Jornal da TVT – Tv dos Trabalhadores. E dessa vez fui ouvir o que as vozes do povo brasileiro tem a dizer sobre a alta do preço do café, uma das bebidas mais consumidas do país. Assistam e deixem as suas opiniões também!!!

CarlosCarlos Bola & Arte

E vc?? O que achou a respeito de mais esse aumento de produtos básicos no dia-a-dia do brasileiro???





BARÃO DE ITARARÉ PROMOVE DEBATE SOBRE LIBERDADE NA REDE, AMANHÃ, 26/FEV/2011

25 02 2011

O Centro de Estudos de Mídia Alternativa, Barão de Itararé, promove esse sábado, a partir das 9hs (mesa 1) e das 14hs (mesa 2), debate “Internet” Acesso Universal e Liberdade na Rede”. Vale a pena participar.

** Mais abaixo eu disponibilizo um vídeo que eu gravei ano passado com o Miro (http://altamiroborges.blogspot.com/), criador do Barão de Itararé, no primeiro Encontro de Blogueiros Progressistas.

CarlosCarlos Bola & Arte

A divulgação a seguir foi extraída do blog Barão de Itararé (http://www.baraodeitarare.org.br):

Acesso Universal e Liberdade na Rede

O jornalista Luis Nassif, a deputada federal Manuela D’Ávila e o presidente da Telebrás, Rogério Santana, participam, em 26 de fevereiro, do debate “Internet: Acesso Universal e Liberdade da Rede”. O evento será promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo, na sede do Sindicato dos Bancários. O objetivo é discutir, em duas mesas, os principais desafios que o Brasil deve enfrentar para garantir uma internet rápida, barata e de qualidade para todos, com liberdade de expressão. A primeira mesa, “A Luta por uma Internet Livre e os Ataques Conservadores à Rede”, contará com os professores Sérgio Amadeu e Marcos Dantas, além de Nassif e Manuela. Já a mesa da tarde, “O Plano Nacional de Banda Larga e a Luta pela Universalização da Internet no Brasil”, terá como debatedores Rogério Santana — que detalhará os planos da Telebrás para a área —, Percival Henrique (Anid) e Renata Mielli (Barão de Itararé). “A internet tem sido um fator importante para promover maior diversidade e pluralidade na comunicação”, afirma Renata. “Lutar para que o acesso à rede seja universalizado, acabando com a exclusão digital, e defender a liberdade de expressão são bandeiras estratégicas de todos que lutam por uma comunicação e uma sociedade mais democráticas.” Segundo a secretária-geral do Centro Barão de Itararé, “é preciso que as pessoas tomem conhecimento dos ataques que a internet está sofrendo e se mobilizem contra tais iniciativas, no Brasil e no mundo. Ao lado disso, é preciso exigir do Estado políticas públicas de acesso a internet — barata, de qualidade e para todos”. O valor da inscrição para o debate é de R$ 20. Na ocasião, haverá o lançamento do gibi Eu Quero a Banda Larga, produzido pelo Barão de Itararé. Para mais informações, entrem contato com Danielle Penha, no telefone (11) 3054-1829 ou no e-mail contato@baraodeitarare.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

(André Cintra)

Segue vídeo:






O DISCURSO DO MINISTRO FRANKLIN MARTINS ME DÁ ESPERANÇAS

12 11 2010

Li o texto a seguir no Blog do Miro (http://altamiroborges.blogspot.com), que é um militante de causas da esquerda em prol de verdadeiras transformações sociais em nosso país.

Não posso negar que fiquei esperançonso. Esperançoso porque acredito que a regulamentação dos meios de comunicação no Brasil é uma das causas mais urgentes a serem resolvidas por aqui. Penso, acredito e respiro essa idéia a longos anos, sonhando por um Tv descentralizada, onde o leque de abertura de produções vindas de todos os cantos do país se abram e perdurem por longos e longos anos. Uma Tv plural e com a cara do Brasil, uma tv que não centralize seu conteúdo somente no eixo Rio-São Paulo. Uma Tv que usufrua das inúmeras possibilidades que a “Era Digital” nos apresenta, ou seja, quadruplicar o número de canais existentes em um aparelho de televisão e assim verdadeiramente deixar que as pessoas escolham o que querem assistir.

Quando a Rede Globo diz que a CONFECOM, Conferência Nacional de Comunicação, que foi realizada ano passado e da qual eu participei de algumas pré-conferências (tanto em São Paulo como em Brasília) é uma ameaça a liberdade de imprensa e a democracia, isso nada mais é do que o medo e a ganância de um veículo centralizador que nasceu na época da ditadura e financiada pelos EUA, de perder dinheiro e poder no cenário brasileiro.

Pra ela (Globo), não interessa ver o povo se libertando, se encontrando, se reconhecendo verdadeiramente na tela, pra ela interessa ver o povo burro e sem crítica para assim continuar faturando milhões e interferir fortemente em mentes e corações de milhares de pessoas.

Não acho que o Brasil deva fechar as comunicações e não deixar a Globo ter o seu canal, mas sim regulamentar toda essa palhaçada que faz esse gigante deitar e rolar do jeito que quer, em detrimento das verdadeiras necessidades do povo brasileiro. Acredito que o que deva ser feito é aumentar o leque de possibilidades de produção, difusão e concessões para o maior número de brasileiros que queiram manter um canal de televisão e/ou difundir o conteúdo produzido por ele próprio e não por outros. A internet está ajudando demais nesse processo, onde aos poucos as pessoas percebem que tem voz como mídia e não apenas recebem mídia, elas se vêem produzindo mídia e colocando as suas opiniões. Será que é difícil demais de entender isso????

Como muitos sabem, no primeiro turno das eleições 2010 eu votei no Plínio de Arruda Sampaio, mas no segundo turno votei na Dilma. E a principal causa disso é de ter ouvido de algumas pessoas infiltradas no PT que de fato o partido tem a intenção de interferir mais fortemente nas comunicações do país. Pra mim é certeza absoluta que nada seria feito num eventual governo Serra e a possibilidade de isso acontecer com a Dilma foi alimentada demais pelo discurso em forma de texto que disponibilizarei a vocês a seguir, onde o Ministro Franklin Martins fala sobre todas essas necessidades iminentes. É aquilo, um discurso é um discurso e a prática é a prática. Mas vou ser otimista e acreditar nisso, acreditar tão fortemente ao ponto de fazer de tudo para que isso aconteça, quero fazer parte desse momento de transição das comunicações no Brasil!!!

Pra finalizar: o lance é abrir caminhos e possibilidades e não permitir que uma emissora só domine todo o cenário, não permitir que o mercado dite as regras, as pessoas e os veículos tem que parar de ser mesquinhos e pensar no todo, abrindo espaços para que todos se encontrem, sejam felizes e tenham o poder de transformar. Precisamos destruir esse ranço de capitalismo e competição implantando em nossos corações desde o nascimento. A hora é agora!!!!

Mais abaixo disponibilizo o eterno Programa Bola & Arte, um símbolo nessa luta pelo audiovisual e comunicações no Brasil!!!!!!

Segue postagem do Miro (Blog do Miro – http://altamiroborges.blogspot.com)

Reproduzo a integra da intervenção do ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), apresentada na abertura do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em 9 de novembro:

Bom dia a todos vocês.

Em primeiro lugar, eu queria agradecer aos palestrantes dos diferentes
países, que vieram de tão longe aqui, para dividir conosco a experiência que
possuem de regulação de comunicações eletrônicas.

Queria agradecer a todos os participantes, entidades, personalidades,
parlamentares, agentes públicos, acadêmicos, organizações da sociedade civil
empresarial e não empresarial, que aqui estão presentes, e dizer que, para a
Secom, é motivo de uma grande satisfação realizar este seminário.

O mundo das telecomunicações vive, hoje, uma era de desafios e de enormes
oportunidades. O processo de digitalização, a internet, o processo de
convergência de mídias, tudo isso oferece extraordinárias possibilidades,
seja do ponto de vista da difusão da informação, seja do ponto de vista da
produção e difusão cultural, seja do ponto de vista da democratização de
oportunidades e do exercício da cidadania. Além disso, permite o
estabelecimento de uma economia de vastíssimas proporções e enormes
potencialidades, gerando crescimento, gerando emprego, gerando renda,
aumentando a arrecadação de impostos; em suma, organizando um importante
setor da economia, incidindo sobre o conjunto da economia uma sociedade de
informação e de conhecimento.

Algumas consequências desse processo são nítidas. Em primeiro lugar, os
custos de produção caem brutalmente, a digitalização permite que muitas das
atividades, feitas em outras plataformas, em outras bases tecnológicas,
antes, sejam feitas de forma muito mais barata, e isso abre enormes
possibilidades.

As fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão vão se dissolvendo,
e isso gera grandes desafios. Até algum tempo atrás, era de um lado o
telefone, telefone era voz, não passava disso; do outro lado, você tinha a
radiodifusão. Hoje, cada vez mais, esse processo vai produzindo uma
interpenetração, gerando uma série de interrogações, uma série de
possibilidades, gerando uma série de riscos, mas, mais do que tudo, gerando
enormes possibilidades.

Costumo dizer que a convergência de
mídias é um processo inelutável, está em curso e ninguém vai detê lo. Por
isso mesmo é muito bom olharmos para frente, ao invés de ficar olhando para
o passado, olhar para trás. Olhar com nostalgia para o passado pode ser
muito interessante, do ponto de vista, vamos dizer, da pessoa se sentir bem,
rememorar coisas, etc., mas o futuro está ali e o futuro é a convergência de
mídia. Vou dar um exemplo para vocês. Isto aqui é uma televisão portátil, eu
recebo aqui um sinal aberto, gratuito, de radiodifusão e posso assistir
televisão aqui. Agora, esse mesmo aparelho se transforma em um celular, eu
recebo aqui televisão, um sinal numa tecnologia 3G, 3G e meio, 4G, ou o que
vier a aparecer, um sinal que pode ser gratuito, ou não, dependendo do
modelo de financiamento que a empresa tiver adotado. Evidente que o usuário
não vai ficar andando com dois aparelhinhos iguais. Esses dois aparelhinhos
viram um só, isso vale para a mobilidade, mas isso vale dentro de casa. Ou
seja, em pouquíssimo tempo, para o usuário, o cidadão, será absolutamente
indiferente se o sinal está vindo da radiodifusão ou está vindo das
telecomunicações.

Regular esse processo de convergência é um tremendo desafio e uma grande
necessidade para todo mundo, porque, sem regulação, não se estabelecem
regras claras, não há segurança de como atuar e, mais do que isso, não há
uma interferência da sociedade em como produzir um ambiente estável, um
ambiente com perspectiva e um ambiente onde os interesses da sociedade
prevaleçam sobre todos os demais.

Este seminário aqui, ele tem como objetivo recolher as experiências de
vários países, países democráticos, países com os quais nós mantemos
relações intensas, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista
cultural, do ponto de vista político, que são parceiros importantes do
Brasil, recolher as experiências de como eles estão regulando esse processo
de convergência de mídia. Ninguém tem um modelo pronto, que está dando
certo, que já resolveu tudo, não; está todo mundo, mais ou menos, sobre a
marcha, enfrentando os problemas que vão aparecendo. Acerta aqui, erra ali,
busca uma solução que se revela criativa, uma outra, que se pensava que era
criativa, se vê que não dá nada, bateu num muro. Mas são. Eles estão lidando
com isso e estão, de um modo geral, muito mais avançados do que nós, como
nós veremos a seguir.

Aprender com as experiências deles não é copiar a experiência deles; é ver
como eles lidaram com problemas semelhantes ao que nós estamos lidando aqui.
Semelhantes, não iguais. Semelhantes, não iguais. Então, aprender com as
experiências deles é importante para nós entrarmos nesse desafio de produzir
um novo marco regulatório para as comunicações eletrônicas, dentro desse
ambiente de convergência de mídia.

No Brasil, o nosso desafio é maior ainda do que estão enfrentando esses
outros países, porque aos desafios que são gerais, próprios das mudanças de
tecnologia, da introdução de novas tecnologias, etc., somam se desafios
peculiares, particulares nossos.

A nossa legislação é absolutamente ultrapassada. Isso não é segredo para
nenhum de vocês. A gente pode fazer discurso, pode dizer que já fez uma
mudancinha aqui, adaptou ali, mas cada um de nós, quando conversa com seus
botões e não com o microfone da televisão, sabe perfeitamente que a nossa
legislação é absolutamente ultrapassada. Para se ter uma ideia, o Código
Brasileiro de Telecomunicações, que é o que rege a radiodifusão em linhas
gerais, é de 1962 – 62 -, ou seja, televisão, não havia TV a cores, não
havia satélites, não havia rede; naquela época, havia mais “televizinho” do
que televisão no Brasil. “Televizinho”, para quem não se lembra – a maioria
aqui não é daquela época – se chamava simpaticamente os vizinhos que vinham
assistir televisão na casa de quem tinha. Pois bem, havia mais “televizinho”
do que televisão. Nosso Código é dessa época. Ele não responde aos
problemas, é evidente. E acumularam se problemas imensos, que não foram
sendo resolvidos, que foram sendo encostados, que se fez uma gambiarra, fez
um gatilho(F). Olha, não é só em favela que se faz gambiarra para puxar TV
por assinatura, não. Nossa legislação é um cipoal de gambiarras, porque não
vem se enfrentando as questões de fundo.

A isso se soma uma outra coisa. Nossos dispositivos constitucionais sobre
comunicação, em sua maioria, não foram regulados até hoje. Ou seja, o
constituinte determinou uma série de questões e disse: “É preciso lei para
isso”. Vinte e dois anos depois, o Congresso não votou lei alguma que
regulasse isso, alguma. Alguma não. Quando algumas empresas de comunicação
tiveram problemas de caixa – entende? -, aí se votou a lei que regulou a
questão do capital estrangeiro, porque era necessário capital com dinheiro
lá fora. Mas tirando isso, quando foi que se regulou a questão da produção
independente, da produção regional, da produção nacional, da desconcentração
das propriedades? Fica tudo ali na prateleira, fica tudo na cristaleira. Eu
acho que a hipocrisia é uma das piores coisas que pode haver na vida de uma
pessoa e na vida de um país. Se nós achamos que não vale a pena, nós não
queremos produção nacional, garantias para ela, nós não queremos garantia
para produção regional, nós não queremos garantia para que haja produção
independente, nós não queremos evitar a concentração excessiva da
propriedade. Se nós achamos tudo isso, nós devemos revogar essa
Constituição. Agora, isso está lá e isso exige ser regulamentado, e o
processo de regulamentação das comunicações eletrônicas é uma oportunidade
para isso e isso não pode ficar de fora.

Em muitos aspectos, o que eu estou falando não é
novidade para nenhum dos senhores que são do setor, que acompanham, sejam da
academia, de entidades empresariais, não empresariais, de legisladores,
criou se, na área de comunicação, uma situação que foi um pouco terra de
ninguém.

Todos nós sabemos que deputado e senador não pode ter televisão, mas todos
nós sabemos que deputados e senadores têm televisões, através de
subterfúgios dos mais variados. Está certo? É evidente que está errado. Por
que não se faz nada? Porque eu acho que a discussão foi sendo, o tempo todo,
contida, foi sendo, o tempo todo, evitada e, agora, é uma oportunidade para
que se rediscuta tudo isso. Mas isso. Eu vou dizer francamente aos senhores:
o principal não é olhar para trás; é aproveitar e se fazer aquilo que
devíamos ter feito, porque, fazendo isso bem feito, poderemos, ao mesmo
tempo, simultaneamente, olhar melhor para frente e, para frente, ser capaz
de legislar de uma forma mais permanente, mais flexível, mais capaz, mais
moderna, mais integradora, mais cidadã e mais democrática.

Isso tem de ser feito através de um processo de discussão público, aberto,
transparente.

Tudo bem que a gente converse em separado, todo mundo converse em separado,
mas a essência da discussão não é como tal grupo econômico ou tal setor faz
chegar seus pleitos, demandas, exigências, críticas, preocupações ao Poder
Público; é como todos levam isso abertamente, publicamente, de forma
transparente, na sociedade, e a sociedade escolhe e elege os caminhos que
deseja seguir. E isso, basicamente, no local definido constitucionalmente,
no local onde se produzem as leis, e pode ser choque dos interesses, palco
do choque dos interesses, que é o Congresso Nacional.

O governo federal, ao trabalhar para produzir um anteprojeto de um marco
regulatório, vê esse processo como um processo de discussão pública, aberta,
transparente, que não é rápida, é complexo o assunto, são sensíveis os
problemas, as reivindicações são grandes, os ressentimentos e os
preconceitos monumentais de tudo que é lado, os fantasmas passeiam por aí,
arrastando correntes e, muitas vezes, impedindo que a gente ouça o que tem
que ouvir. E isso só se dissolve num debate público aberto e transparente.
Eu acho que a nossa sociedade, apesar de alguns momentos de enorme tensão,
de fúrias mesquinhas, é uma sociedade com uma grande vocação para o
entendimento, para a discussão, para o debate, para acertar posições, e eu
acho que esse debate, se nós formos capazes de nos livrarmos dos fantasmas e
não deixarmos os fantasmas comandar a nossa ação, nós conseguiremos produzir
um clima de entendimento e avançaremos muito nesse sentido.

Isso interessa à sociedade. Essa discussão tem que ser travada frente a
frente com a sociedade, porque isso interessa à sociedade. Isso não é uma
discussão apenas sobre economia, sobre uma repartição de áreas ou cruzamento
de áreas entre grupos econômicos e setores; isso diz respeito à comunicação,
diz respeito à democracia, à criação de oportunidades, a uma sociedade de
informação e conhecimento, à participação política, à produção cultural, e,
para isso, a sociedade deve participar diretamente disso, e esse deve ser o
pano de fundo, em cima do qual se assentam as opções que o país terá de
fazer.

Quais são os princípios? Me perguntam muito: “Ah, mas como é que está? Vai
ser uma ou duas agências? Vai fazer isso ou vai fazer aquilo?”. O governo
está discutindo internamente, suando para conseguir produzir algo, ainda
neste mandato, para entregar à presidente eleita, a Dilma Rousseff, para que
ela decida o que quer fazer, se quer abrir para consulta pública aquele
projeto ou se quer trabalhar mais em cima do projeto. Provavelmente é o que
ela fará e tal, ela terá um ponto de partida, mas fará. Eu dizia ontem, e
tenho dito: eu estou convencido de que a área de comunicação no governo da
presidente Dilma terá – eu vou fazer uma comparação -, mais ou menos, o
mesmo tratamento que teve a área de energia no primeiro mandato do Governo
Lula.

No primeiro mandato do Governo Lula, ou se estabelecia um marco regulatório
para energia, que desse perspectiva, condição de planejamento, segurança
jurídica, interferência da sociedade, que se criasse esse ambiente, para que
o investimento fosse retomado com a velocidade necessária, ou se produziriam
apagões em série. Se fez a modificação, se produziu um novo ambiente
regulatório, e o Brasil, penando, se livrou do fantasma do apagão. Diferente
é um dia cair uma torre, etc., mas o apagão, como carência da oferta de
energia, isso parou de existir. Por quê? Porque se criou um novo ambiente
regulatório e se definiu aquilo enquanto algo estratégico para o crescimento
da economia, naquele período. Comunicação é a mesma coisa agora: ou se
produz um novo marco regulatório ou nós vamos perder o bonde de uma área
crucial para o crescimento da economia e, mais do que o crescimento da
economia, para o exercício da cidadania, nos próximos 10, 20 anos, porque
não se chega lá de qualquer jeito, não se chega lá só com o mercado
empurrando de qualquer jeito; é necessário debater, discutir, traçar
políticas públicas, fazer regulação para que as políticas públicas sejam
aplicadas e, em função disso, criar um ambiente que permita o investimento e
permita que a sociedade se sinta portadora de direitos, não só como
usuários, mas como cidadãos.

Isso é especialmente importante. Então, o que eu quero dizer é o seguinte:
precisamos de uma discussão aberta, pública, transparente, sobre isso. E eu
queria convidar a todos os senhores a – na medida do possível, eu sei que
isso não é fácil – deixar os seus fantasmas no sótão, que é onde eles se
sentem melhor. Os fantasmas, quando dominam as nossas vidas, de um modo
geral, nos impedem de olhar de frente a realidade. Passa uma criança
brincando, você não percebe como aquilo é lindo; passa uma mulher bonita –
no meu caso -, você não olha, porque você está com os fantasmas na cabeça.

Eu queria dizer aos senhores o seguinte: há crianças brincando, há mulheres
bonitas, há situações interessantes, há possibilidades extraordinárias, há
disposição política, mas os fantasmas não podem comandar o processo. Se
comandarem, nós perderemos uma grande oportunidade. Se comandarem, nós não
criaremos um ambiente de entendimento, mas perseveraremos num ambiente de
confrontação, e isso não é bom para ninguém. Vamos nos desarmar, não da
defesa dos interesses de cada grupo, evidente, de cada setor, continuarão
defendendo, mas vamos nos desarmar. Isso é muito concreto. Nenhum setor,
nenhum grupo tem poder de interditar a discussão; a discussão está na mesa,
está na agenda, ela terá de ser feita, ela pode ser feita, num clima de
entendimento ou num clima de enfrentamento. Eu acho que é muito melhor fazer
num clima de entendimento.

Eu vou repetir para vocês algo que eu falei na comissão organizadora da
Conferência Nacional de Comunicação, quando determinadas entidades
resolveram se retirar – um direito legítimo delas – da organização daquele
processo, achando que estavam tomando caminhos. Eu acho que eles estavam
equivocados, mas não quero discutir, isso é passado, eu estou olhando para
frente, quero deixar bem claro. Mas eu vou repetir o que eu disse para eles:
o governo federal tem consciência de que, nesse processo de convergência de
mídias, é preciso dar uma proteção especial à radiodifusão, e não faz isso
porque tem nenhum acerto, não; faz isso porque tem sensibilidade social, tem
a sua opinião, que tem sensibilidade social. O sinal da radiodifusão é um
sinal aberto, gratuito, que chega a todo mundo, e, em um país que, apesar
dos enormes progressos dos últimos anos, ainda tem uma percentagem da
população miserável, ou uma grande percentagem da população pobre, ter um
sinal de radiodifusão aberto, gratuito, em todo o território nacional, que
chega a todos, é de extrema relevância.

Então, temos essa sensibilidade, temos a vontade de encontrar, dentro desse
cipoal, que é o processo de convergência de mídias, caminhos que produzam
isso. E eu vou dizer o que eu disse, naquele dia, aos representantes das
organizações que tinham decidido se retirar: se não houver pactuação, se não
houver um processo de discussão público, aberto e transparente, que coloque
na mesa os interesses de cada um, legítimos, e se resolva eles à luz dos
interesses nacionais, quem vai regular não é o debate, é o mercado. Não é o
Congresso. Quem vai regular é o mercado. E, quando o mercado regula, quem
ganha é o mais forte.

A radiodifusão. Aquilo foi em 2008, o episódio, e eu disse a eles. A
radiodifusão tinha faturado, naquele ano, no ano anterior. Aliás, foi início
de 2009. No ano de 2008, ela tinha faturado como um todo, o setor como um
todo, no Brasil, 11,5 bilhões. O setor de telecomunicações, no ano de 2008,
tinha faturado, em todo o Brasil, 130 bilhões. Esses números, se eu não
estou errado, evoluíram, no ano de 2009, para 13 bilhões e um quebrado, para
a radiodifusão, e algo próximo de 180 bilhões para as telecomunicações. Ou
seja, a grosso modo, o faturamento, hoje em dia, das teles, o setor de
telecomunicações é 13 a 14 vezes maior do que o faturamento da radiodifusão,
e aí vale rádio, rede nacional de televisão, rádio do interior, todo mundo,
pelo menos o declarado. É evidente que, se não houver regulação, se não
houver a criação de mecanismos que entendam a importância da radiodifusão e
sua importância social no país, ela será atropelada pelas telecomunicações.
Eu costumo dizer que será atropelada por uma jamanta. Isso não é bom para o
país. Isso não é bom para o povo brasileiro, isso não é bom para a pessoa de
classe C, D e E, que não têm condições de ter acesso a outro tipo de
comunicação eletrônica, que precisa daquilo. Por isso mesmo a regulação deve
entrar nisso. Mas reparem só: para entrar, nós temos que entrar na
discussão. Não dá para dizer: “Eu vou interditar toda outra discussão, e
essa daqui eu quero”. Isso não existe. Aqui entre nós, ninguém é tão forte
assim no Brasil para isso, nem o governo federal, nem o setor de teles, nem
a radiodifusão, nem academia. Ninguém é tão forte. Nós precisamos sentar na
mesa e conversar, sentar na mesa e conversar, e produzir, no local onde se
votam e aprovam as leis, que é o Congresso Nacional, um texto que seja capaz
de fazer um novo ambiente regulatório, um ambiente de convergência de mídias
extremamente complexo, em mutação permanente. Que nós sejamos capazes de
fazer isso.

Entre os fantasmas, talvez o fantasma mais renitente, o fantasma que mais
aparece, o fantasma mais garboso dessa discussão toda, seja a tese de que
regulação é sinônimo de censura à imprensa. O Governo Lula já deu provas
suficientes do seu compromisso com a liberdade de imprensa, e deu em
condições onde não teve a imprensa a seu favor. Na época do pensamento
único, era fácil. Eu quero ver ser a favor da liberdade de imprensa,
apanhando dia e noite da imprensa, muitas vezes sem amparo nos fatos, muitas
vezes movido apenas pelo preconceito, muitas vezes movido apenas pela
posição política desse ou daquele órgão, etc. e tal. Nenhum problema com a
liberdade de imprensa, nenhum problema. O Brasil goza de absoluta, de
irrestrita liberdade de imprensa.

Da minha parte, eu, como jornalista, e eu, como militante político, já aos
14, 15 anos, lutava contra a ditadura, faço parte de uma geração que cresceu
ansiando por liberdade de imprensa, aprendeu o seu valor. Eu não estou entre
aqueles que lutou [contra] a ditadura em algumas circunstâncias; eu lutei
contra a ditadura do primeiro ao último dia da ditadura, lutei pela
liberdade de imprensa do primeiro ao último dia da ditadura. Então a
liberdade de imprensa não é algo que é uma circunstância que politicamente
me convém ou não convém; é como eu digo, é algo que vem da alma.

Então, essa história que a liberdade de imprensa está ameaçada, isso é uma
bobagem, isso é um fantasma, isso é um truque, porque isso não está em jogo.
É importante qualificar. A liberdade de imprensa é a liberdade de imprimir.
Ou seja, antigamente, quando não existia rádio, quando não existia
televisão, a liberdade de imprensa significava o direito que cada pessoa que
publicava um jornal tinha de imprimir o que quisesse. Hoje em dia, ela é
mais ampla do que a liberdade de imprimir; ela é a liberdade de divulgar,
porque também entra em meios. Não papel, não fita, que, cada vez mais, a
liberdade de imprensa significará liberdade de divulgar, publicar. A essa
liberdade não deve, não pode, não haverá qualquer tipo de restrição. Mas
vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação na sociedade.
Eu estou seguro. Os senhores ouvirão o relato das experiências dos
diferentes países, todas democracias. Os Estados Unidos é uma democracia, é
uma democracia. O Reino Unido é uma democracia. Nossa República “hermana” da
Argentina é uma democracia. Portugal é uma democracia. Espanha é uma
democracia. Europa é uma democracia. Em todos eles há regulação de meios
eletrônicos, e isso não significa, por nada, que haja censura. Gostaria
muito que os senhores, quando houver a fase das perguntas, perguntassem
muito, aqui, aos expositores, se a liberdade está ameaçada lá, porque existe
regulação.

Então, isso é uma discussão que é um fantasma. Ele entra na discussão, na
verdade, para não se entrar na discussão. E é isso que eu acho que nós
deveríamos, nesse debate, tentar ultrapassar e ir muito além disso. É
verdade o seguinte: liberdade de imprensa. Eu acho que, às vezes, é essa a
confusão que eu acho que existe. Não quer dizer que a imprensa não pode ser
criticada, que a imprensa não pode ser observada, que a imprensa não pode
ser alvo de críticas de quem quer que seja. Todos nós somos alvos de
críticas. Aliás, quando temos uma atitude madura diante das críticas, de um
modo geral, melhoramos com elas. Isso vale para nossa vida doméstica, vale
para nossa vida profissional, vale para as empresas que alguns de vocês
dirigem, vale para países, vale para o Presidente da República, vale para o
Papa. Ou seja, quando somos criticados e olhamos as críticas sem
preconceito, em geral, melhoramos com ela. Elas podem ser verdadeiras, podem
não ser, mas isso é parte do jogo.

Liberdade de imprensa, volto a dizer – já disse isso várias vezes – quer
dizer que a imprensa é livre, não quer dizer que a imprensa é
necessariamente boa. A imprensa erra, erra muito. Eu, como jornalista, sei
que a imprensa erra muito, qualquer jornalista que está aqui sabe que a
imprensa erra muito. Os leitores, telespectadores, ouvintes sabem que a
imprensa erra muito, e, de um modo geral, é capaz de distinguir, de separar,
o erro cometido de boa fé, no afã de produzir a tempo uma informação para
ser entregue ao público, da manipulação da notícia, que é produzir com
qualquer outra intenção, mas estão sendo submetidos às críticas dos
telespectadores, dos ouvintes, dos leitores, todos os órgãos de imprensa,
que também podem ser submetidos à crítica por outros órgãos de imprensa. A
imprensa no Brasil, nos tempos heróicos, era um cacete só entre os jornais,
eles brigavam o tempo todo. Isso não dizia que não havia liberdade de
imprensa; dizia que havia liberdade de imprensa.

Então, a crítica a erros da imprensa, a crítica à manipulação que certos
órgãos eventualmente venham a fazer, isso faz parte da disputa política, e a
liberdade de imprensa não está arranhada, quando alguém crítica um órgão ou
outro da imprensa; ao contrário, isso faz parte do ambiente democrático, e
com ele se deve aprender a viver e, se possível, aprender a melhorar.

Eu acho que, se nós formos capazes de entender isso, nós vamos ter mais
vozes se expressando, porque o que se quer não é. Onde tem liberdade de
imprensa se quer mais liberdade de imprensa; onde se tem algumas vozes
falando se quer é mais vozes falando; onde tem opiniões se expressando, no
debate público, se quer é mais opiniões se expressando no debate público;
onde se tem artistas e pessoas do povo, produzindo cultura, o que se quer é
mais artistas e mais gente do povo produzindo cultura. É “mais” e não
“menos” que está em jogo, neste debate sobre o novo marco regulatório.

Então, eu queria, para finalizar, novamente, agradecer a todos os senhores,
agradecer especialmente aos palestrantes que vieram de tão longe aqui, para
nos brindar com a sua experiência. Estou seguro de que ela nos ajudará
muito, ajudará muito, não apenas ao governo, mas a toda a sociedade
brasileira, a travar, de uma forma madura, um debate que já custou muito a
chegar e que precisa ser travado o quanto mais cedo possível.

Programa Bola & Arte com Max B.O. e Juliana Cabral Bloco 1:

Programa Bola & Arte com Max B.O. e Juliana Cabral Bloco 2:





Sobre a última enquete – O papel da TV

4 06 2009

Salve, 

Como vocês já viram, uma nova enquete já está rolando no nosso VideoBlog. Mas vale a pena fazer aqui umas considerações sobre a última pergunta que tínhamos feito pra rapaziada que nos acompanha. 

Perguntamos se a TV deve seguir a lógica comercial ou ser um espaço destinado à diversidade. 

Na votação, foi de lavada: 83% acreditam que a TV deve ser um espaço destinado à diversidade, enquanto só 17% acham que ela deve seguir a lógica comercial. 

Quem já conhece o Bola e Arte e leu a entrevista do CarlosCarlos pro site Universidade do Futebol sabe que, além que acreditarmos que a televisão deve ser um espaço plural e diversificado, no qual todas as pessoas sejam representadas e tenham voz ativa, lutamos por isso.

Mas essa luta não é nem um pouco fácil. No Brasil, o sistema de radiodifusão é oligopolizado, concentrado totalmente nas mãos de umas poucas famílias interessadas somente em obterem lucros e propagarem seus ideais neoliberais. Não interessa nem um pouco às emissoras a transformação social. Transformar a realidade que as mantém soberanas, aliás, é o que elas menos querem. 

A Internet abriu mais espaços para discursos contra-hegemônicos, mas já é em grande parte controlada por grandes corporações. Vale lembrar que os dois principais portais brasileiros, por exemplo, são da Globo e do Grupo Folha. E quem apoia discursos contra-hegemônicos? Remar contra a maré não é fácil, mas como o CarlosCarlos me disse uma vez: tem um determinado momento de nossas vidas que nos deparamos com uma bifurcação, se você seguir por um lado, vai chegar a uma multinacional, por outro, mais à frente, vai encontrar um saci-pererê. Eu prefiro o saci-pererê. E você? 

Abs

Arnaldo





Vamos “horizontalizar” a TV brasileira!!!

2 04 2009

 

 

Primeiro vídeo da nova fase do Programa Bola e Arte!! VídeoBlog, interação, colaboração, comunicação sem frescura, mande o seu vídeo pra gente, essa é a idéia, vamos “horizontalizar” a televisão brasileira, na internet, na tv a cabo, na tv aberta. Quem disse que não é possível???
O seu vídeo pode ser sobre futebol e/ou arte e/ou transformação social, podendo enfocar somente um desses temas ou todos misturados, faça do jeito que quiser!! Nova fase, Bola e Arte é nóis!!!

Por aqui serão postados:

– Os vídeos enviados por vocês.

– Entrevistas atuais sobre futebol e/ou arte e/ou transformação social.

– Cenas dos programas Bola e Arte que não foram pro ar.

– Matérias externas que foram feitas pro Bola e Arte, que tinham que ser cortadas pela pouca duração que o programa tinha na grade da FizTv, agora serão exibidas NA ÍNTEGRA.

– Quadros semanais malucos

– Matérias inusitadas

– E mais o que a gente for inventando…

Tudo isso sempre com o estilo Bola e Arte de ser, livre, libertário, a favor do ser humano, do povo brasileiro e da verdadeira e pura transformação social, em busca da igualdade de oportunidades a todos.

“O povo brasileiro do jeito que ele é… não do jeito que querem que ele seja…”

**Agradecimentos ao Arnaldo, que me ajudou a colocar esse VídeoBlog no ar, tamo junto na parceria!!