Gols da Rodada na FizTV + Mobilização Quilombola

23 06 2009

Na edição dos gols da rodada desta semana, a goleada do Flamengo sobre o time reserva do Inter, a virada do Santo André pra cima do Sport, o empate heróico do Palmeiras na Arena da Baixada e o passeio do Corinthians sobre o São Paulo.

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Divulguem! A causa é séria!

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Bola e Arte na FizTV – Gols da Rodada 06

17 06 2009

Confira na sexta edição dos Gols da Rodada o vacilo de São Paulo e Santos no sábado, a vitória do Galo rumo à liderança, a goleada do Coxa sobre o Flamengo e muito mais sobre a última rodada do Campeonato Brasileiro. Como vocês vão ver, depois de umas aulas com o Luxemburgo, o CarlosCarlos está mandando bem (mal) no Espanhol…hahaha

Abs

Arnaldo

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Bola e Arte em nova fase: Confira piloto do programa no CT do Palmeiras

11 06 2009

Salve rapaziada,

O Bola e Arte mudou, mas continua o mesmo.

A idéia original do novo formato do programa se realiza através de gravações em diferentes locais da cidade de São Paulo: parques, avenidas, centros de treinamento, estádios, feiras livres, peladas futebolísticas, botecos, ônibus, metrôs, ruas etc… sempre tendo um convidado principal que interage junto a CarlosCarlos com os transeúntes desses locais.

Esse convidado poderá ser ligado à arte e/ou ao futebol e/ou à transformação social, e de forma informal, dinâmica e muitas vezes improvisada, os acontecimentos vão rolando naturalmente perante às peculiaridades de cada espaço e de seus frequentadores. Ou seja, a essência é a mesma, mas de cara nova.

Nesse episódio confira bate-papos com Vanderlei Luxemburgo, Obina, Diego Sousa, além de uma matéria com Fred 04, um dos precursores do Movimento Mangue Beat em Recife e líder da banda “Mundo Livre S/A”.

Aconselho a todos, antes de assistir, clicar no ícone “HQ” (high quality) pra ver o programa em alta qualidade.

Ah, e pra quem ficou curioso pra saber o resultado do ultrasom, vem aí uma mocinha pra integrar a família Bola e Arte. É a Ludmila!!!

Abs

Arnaldo

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Multinacional ou saci??? Faça sua escolha

8 06 2009

Salve,

O VideoBlog está com uma nova enquete: “Em sua vida, você prefere encontrar uma multinacional ou um saci-pererê?”

Pra quem não entendeu a pergunta, relembro uma história que o CarlosCarlos me contou, e que eu mencionei no nosso último post, “Sobre a última enquete – O papel da TV”.

A história é a seguinte: todos nós, em determinado momento das nossas vidas, vamos nos deparar com uma bifurcação. Se seguirmos por um lado, encontraremos uma multinacional. Se seguirmos por outro, vamos nos deparar com um saci-pererê.

É isso, interprete como você quiser e deixe seu voto na nossa enquete.

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E fica também o registro da nossa última enquete.

Na sua reestréia no Flamengo, o Adriano disse que não há dinheiro que troque a felicidade de uma pessoa.

Perguntamos se você concordava com o atacante.

86% dos que votaram responderam que sim, enquanto só 14% disseram que não.

Muito obrigado aos que participaram.

Arnaldo





Sobre a última enquete – O papel da TV

4 06 2009

Salve, 

Como vocês já viram, uma nova enquete já está rolando no nosso VideoBlog. Mas vale a pena fazer aqui umas considerações sobre a última pergunta que tínhamos feito pra rapaziada que nos acompanha. 

Perguntamos se a TV deve seguir a lógica comercial ou ser um espaço destinado à diversidade. 

Na votação, foi de lavada: 83% acreditam que a TV deve ser um espaço destinado à diversidade, enquanto só 17% acham que ela deve seguir a lógica comercial. 

Quem já conhece o Bola e Arte e leu a entrevista do CarlosCarlos pro site Universidade do Futebol sabe que, além que acreditarmos que a televisão deve ser um espaço plural e diversificado, no qual todas as pessoas sejam representadas e tenham voz ativa, lutamos por isso.

Mas essa luta não é nem um pouco fácil. No Brasil, o sistema de radiodifusão é oligopolizado, concentrado totalmente nas mãos de umas poucas famílias interessadas somente em obterem lucros e propagarem seus ideais neoliberais. Não interessa nem um pouco às emissoras a transformação social. Transformar a realidade que as mantém soberanas, aliás, é o que elas menos querem. 

A Internet abriu mais espaços para discursos contra-hegemônicos, mas já é em grande parte controlada por grandes corporações. Vale lembrar que os dois principais portais brasileiros, por exemplo, são da Globo e do Grupo Folha. E quem apoia discursos contra-hegemônicos? Remar contra a maré não é fácil, mas como o CarlosCarlos me disse uma vez: tem um determinado momento de nossas vidas que nos deparamos com uma bifurcação, se você seguir por um lado, vai chegar a uma multinacional, por outro, mais à frente, vai encontrar um saci-pererê. Eu prefiro o saci-pererê. E você? 

Abs

Arnaldo





Entrevista de CarlosCarlos para o site Universidade do Futebol

25 05 2009

Salve rapa,

Aí vai uma entrevista do CarlosCarlos para os repórteres Bruno Camarão e Marcelo Iglesias, do site Universidade do Futebol. O surgimento do Bola e Arte, as histórias do programa, a relação entre futebol e arte, o uso da mídia como meio de transformação social, entre outros assuntos. CarlosCarlos falou de tudo, até da origem misteriosa e transcendental do seu nome..rs

É isso, para conferir a entrevista direto do site Universidade do Futebol, é só clicar aqui.

Abs
Arnaldo

CarlosCarlos, criador do programa Bola e Arte

Artista fala sobre o projeto de transformação social a partir da mídia alternativa e do futebol

Bruno Camarão, Marcelo Iglesias

CarlosCarlos é um cara peculiar. Só a grafia do nome já serve para expressar o quão diferenciado é esse artista em múltiplos sentidos, cuja missão, por intermédio do futebol e da mídia, é a transformação social.

Criador do Bola e Arte, um programa de TV e internet que nasceu com a proposta de unir as duas temáticas a partir de uma visão mais arejada e próxima do público jovem de se comunicar, Carlos tem 29 anos e se formou – “academicamente falando” – em Rádio e TV. Seu trabalho explicita o descontentamento de sua geração com o formato tradicional das mesas-redondas e da estrutura televisiva como um todo.

“Pensei no futebol, na arte e no social, juntando assim uma tradição familiar e um esporte que eu gosto muito com a minha vontade de falar e dar voz para que falem o que a gente geralmente não escuta por aí. Além disso, a possibilidade de falar de arte me chamava a atenção, pois eu poderia trazer uma galera da própria arte e assim formar uma rede de contatos ligando uma coisa à outra. Assim, gradativamente, o formato do programa foi aparecendo”, explicou CarlosCarlos em entrevista à Universidade do Futebol, concedida no seu próprio estúdio: um quarto nos fundos de sua residência, localizada no Brooklin, bairro da zona sul da cidade de São Paulo.

Após um ano na grade fixa da FizTV* e 46 episódios no ar com convidados variados, o Bola e Arte se fincou como um vídeoblog e ganhou endereço próprio – https://bolaearte.wordpress.com/. Lá, encontram-se alguns dos arquivos e entrevistas produzidos por CarlosCarlos e sua equipe. Todo o material, com destaque para conversas com os jornalistas Vladir Lemos e Soninha Francine, os ex-jogadores Basílio e Biro-Biro, além da turnê carioca realizada pelo programa, encontram-se na página pessoal do Bola e Arte no site da FizTV.

*Nota da redação: “Quem faz a programação é você. Quem te mantém no topo é a audiência”. Esse é o slogan da FizTV. Os vídeos chegam ao site e são votados, teoricamente mantendo-se no topo da programação a partir da preferência do público-internauta. O site é o http://fiztv.uol.com.br/f/home/fiztv

Universidade do Futebol – Em primeiro lugar, qual a sua formação acadêmica?

CarlosCarlos – Academicamente falando, me formei em Rádio e TV em 2005. Mas pouca gente que vê o programa sabe disso. Na nossa sociedade, o que mais importa é o currículo, e para mim a escola da vida vem antes da escola acadêmica. O ideal é você ter o equilíbrio das duas.

Universidade do Futebol – Como se deu o surgimento do Bola e Arte?

CarlosCarlos – Estou com 29 anos e sempre fiz vários tipos de artes. Toco, pinto, escrevo, componho, canto, faço televisão, já fiz alguns curtas, sempre precisei e preciso me expressar. Costumo dizer que se eu não tivesse essas vias de expressão, já estaria louco. Durante certo tempo na minha vida, eu tinha muitas ideias e não conseguia direcioná-las do jeito que eu queria, e eu percebo que isso ocorre com vários artistas. Mas o tempo foi passando e atento para isso hoje desenvolvo um trabalho que cada vez mais se consolida.

Iniciei um curso de jornalismo esportivo ministrado pelo Flávio Prado, a partir de uma sugestão do meu irmão, e nos participantes, a maioria na faixa de 20 e poucos anos de idade, percebi uma geração tentando se adequar ao que aqueles antigos apresentadores vinham fazendo. O surgimento do Bola e Arte se deu a partir desse contexto, de uma necessidade de mudança.

Não havia uma colocação por parte deles, como uma geração de pensamentos próprios e valores diferentes, e sim um “respeito excessivo” a uma imposição de mercado, que padroniza tudo e todos dentro de um mesmo negócio. Não achei interessante essa história e assim surgiu a ideia de fazer um programa, ainda muito vaga. Pensei no futebol, na arte e no social, juntando assim uma tradição familiar e um esporte que eu gosto muito com a minha vontade de falar e dar voz para que falem o que a gente geralmente não escuta por aí. Além disso, a possibilidade de falar de arte também me chamava a atenção, pois eu poderia trazer uma galera desse meio e assim formar uma rede de contatos ligando uma coisa à outra. Assim, gradativamente, o formato do programa foi aparecendo.

Com tudo emprestado, duas câmeras mini DV, amigos como convidados, mesas que eram de um boteco do Brooklin, uma TV doada para o cenário, caixas de cerveja como suporte, fiz um piloto nada convencional. Nesse momento, eu havia feito um curta-metragem também, e com esses trabalhos na mochila, fui a encontros de comunicação pelo Brasil.

Primeiro eu fui ao TEIA [Encontro nacional dos Pontos de Cultura, em Belo Horizonte], depois ao Festival internacional de Televisão no Rio, no qual o Bola e Arte estava inscrito e lá eu sabia que haveria uma palestra do pessoal da Fiz.TV, mas nunca tinha colocado um vídeo lá. Me apresentei, entreguei um DVD ao pessoal do Fiz e em pouco tempo recebi um e-mail com um convite para um programa semanal – esse que veio a ser o primeiro programa semanal inteiramente produzido por um usuário do site da FizTV e veiculado na TV através do sinal da TVA e Telefônica TV Digital.

Universidade do Futebol – E qual a razão de o programa ter saído do ar?

CarlosCarlos – Após um ano de veiculação do Bola e Arte na grade da FizTV, veio a crise, e em meio a uma mudança do pessoal da direção de conteúdo, o programa entrou em uma espécie de rodízio e saiu. Mas tem possibilidade de voltar em breve. Recebi o convite recentemente. Além disso, hoje eu continuo com o projeto com a veiculação na TV e na internet dos gols da rodada do Campeonato brasileiro, exibidos durante os intervalos comerciais da FizTV.

Atualmente também temos o nosso videoblog, acabamos de ganhar uma página pessoal no UOL +(http://mais.uol.com.br/bolaearte), e além disso temos a nossa página pessoal no próprio site da FizTv: www.fiztv.com.br/bolaearte

Universidade do Futebol – Quais são as suas principais influências para delinear o Bola e Arte?

CarlosCarlos – Em primeiro lugar, meu pai e minha mãe. Quanto às minhas influências para consumar o projeto, são o próprio contato com o povo brasileiro, nas ruas, nos botecos, nos “busões”, nos metrôs, Tom Zé, Raul Seixas, Clarice Lispector, vários anônimos do cotidiano, Salvador Dali, a minha querida cidade de São Paulo, todos os lugares que eu já visitei, todas as pessoas que eu já conheci e todas as influências que eu esqueci de dizer.

Na real, não dá para racionalizar influências. Tudo é influência.

Universidade do Futebol – Como é possível unir futebol, arte e transformação social?

CarlosCarlos – Tem tudo a ver. A gente vive uma história em que tudo é segmentado e tem de ter começo, meio e fim, mas há um travamento com base no mercado, e a maioria das pessoas fica sempre tentando se moldar àquilo. Reflexo da propaganda das próprias faculdades particulares, que dizem que “formarão você para o mercado de trabalho”. E aí se perde muita riqueza, muita discussão crítica, a diversidade humana que se junta em um padrão só.

E por que eu estou te falando isso? Para dizer que estamos todos ligados uns aos outros, assim como a arte tem ligação estreita com o futebol, que também é uma arte, e se quisermos isso, tudo pode ter muito a ver com a transformação social.

O rico está conectado ao pobre, mas é mais fácil separar. “O povo quer ver essas coisas?”. Será? Ou é um sistema em que desde cedo pouco se oferece àquela população? Não me tiro disso, pertenço a esse povo, mas com algumas oportunidades a mais.

Transformação social é uma palavra que tem diferentes concepções e não é necessariamente só projeto social. É estarmos nós aqui, discutindo, é a mudança de pequenos atos do cotidiano viciado que vivemos. É colocar no programa um cara, como o carteiro Juarez, que entrega cartas desde que eu nasci aqui na rua, e ter a consciência de que são pessoas como ele que têm de estar falando na dita grande televisão feita no Brasil .

Os programas de hoje em dia querem o povo para taxá-lo, zuá-lo, humilhá-lo, como fazem os caras do Pânico, por exemplo. Mas então eu lanço um desafio: quero saber quem banca de levar legítimos representantes do povo brasileiro para tela, para os seus programas, deixando eles falarem o que realmente sentem, o que realmente querem, serem o que realmente são. Aqui fica a minha pergunta para os Willians Bonners, Hebes Camargos, Pedros Biais e afins.

Universidade do Futebol – O programa tem um público-alvo específico?

CarlosCarlos – A ideia do programa é para todas as faixas sociais, etárias, étnicas, e eu pergunto: qual TV quer isso? A parceria com a FizTV foi muito interessante porque sempre fiz o que eu quis, do meu jeito, do fundo da minha casa, e com a possibilidade de ganhar uma grana. Mas hoje parece que as coisas estão mudando por lá, com cada vez mais direcionamentos chegando por parte da emissora.

Quanto ao segmento, por que o programa precisa ser “ou de futebol, ou de arte ou de transformação social”? Juntamos tudo isso. Não precisa ser de uma coisa só, mas mercadologicamente, para os ditos grandes figurões do audiovisual, é inviável. E não é verdade. O povo já cansou de tudo isso, mas ainda não sabe direito do que cansou e de quem cansou.

Não há nada mais social do que o futebol no país. É a arte que mobiliza e pega todo mundo. Se ele fosse utilizado a partir de outro enfoque, poderíamos transformar muita coisa. É um futebol para poucos, uma mídia esportiva para poucos. Um formato que jornalistas se colocam como PhD e falam sempre a mesma coisa. E sempre naquele estilo “politicamente correto” de ser.

Falando de comentaristas atuais, o Caio é como o filho do Falcão, ou seja, sempre no básico, sempre no muro, garantindo o seu salário; o Casagrande, de quem eu sempre gostei, infelizmente, teve de ser internado; o Neto, que era bom, agora parece cada vez mais ligado a interesses pessoais do que à transparência nos comentários. Quem realmente entende de futebol nesse país é o povo. Esse mesmo que está nos botecos, nos “busões”, nas ruas. Mas quem quer colocá-los na tela? E com base nisso, vou deixar outra pergunta: o que é entender de futebol? É complexo. Nossa intenção é mostrar o povo como ele é, e não do jeito que querem que ele seja, fazendo a TV do jeito que ele acha que tem de ser feita, não por seus opressores.

Universidade do Futebol – Você já comentou sobre o atual modelo de programas “mesa-redonda”. Há algum acréscimo em termos de informação à sociedade? Sinceramente, você sente, de maneira geral, um desejo da juventude em romper com esse aparato?

CarlosCarlos – Eu sinto, mas a própria juventude tem de se desprover desses conceitos arraigados, dos paradigmas, pensar no todo e não só individualmente, agir nesse sentido. É assim que procedemos aqui no Bola e Arte. Tem que agir.

Um amigo deixou uma mensagem na nossa página no Orkut:

Pense um programa inovador
Pense um programa divertido
Pense um programa engajado
Pense em um programa, por que não, revolucionário
Pense num programa com muita discussão sobre futebol
Pense num programa com muita discussão sobre arte
Pensem num programa com convidados feríssimas

Pensou?

Então pare de pensar e assista !!!

Bola e Arte…como ninguém pensou nisso antes?

Realmente eu não sei se chegaram a pensar, mas a grande diferença está com aquele cara que vai lá e faz. E se pensaram, igual certamente não foi. No nosso esquema tudo é muito peculiar, próprio, com identidade. A nossa ideia é de “libertação das almas”. Talvez ali naquele curso do Flávio Prado não houvesse atitude para tal.

Sempre quis mostrar que com pouca infraestrutura nós conseguimos fazer um negócio muito legal. Faltam agora as oportunidades para continuar desenvolvendo esse trabalho.

Não que isso seja um sacrilégio, mas nunca coloquei uma mulher gostosa aqui simplesmente para ganhar acessos na internet. Também buscamos e tentamos ir além daquela conversa revolucionária de boteco – várias brejas, muitas teorias e geralmente pouca ação, porque depois dela você vai esquecer e parará por ali. Algo só vai acontecer se você ultrapassar a conversa do boteco.

Universidade do Futebol – Esse caminho que você busca seria o mais interessante para os programas de futebol, defasados e que perdem o apelo do público, de uma maneira geral? É possível revolucionar a grande mídia dentro dela, ou a opção é mesmo buscar caminhos alternativos, via internet, por exemplo?

CarlosCarlos – Cara, aí está um ponto complicado. O Raul Seixas fez uma música que dizia assim: “Quando se quer entrar num buraco de rato, de rato você tem que transar”. Ele quis dizer que para você mudar o sistema, você tem que entrar dentro dessas estruturas. Ele disse isso também quando ele assinou contrato com grandes gravadoras. Mas é aquilo, tudo depende. Vejamos o caso dos Racionais Mc’s: ali tem uma postura que eu respeito. Ninguém é obrigado a entrar em um sistema só porque todos lá estão.

Com base nessa escolha, eles recebem milhões de críticas. É preciso ter personalidade para sustentar esse tipo de opinião que é contra o que a maioria pensa. É claro que a gente sempre está vivendo junto com o sistema. E ele está dentro da gente também, de uma forma ou de outra. Mas aí depende de como a gente lida com isso tudo.

Através de informação, consciência humana, social e política, nós podemos viver e trabalhar em prol de valores contrários aos ensinados pelo sistema.

Universidade do Futebol – E o Bola e Arte pensa em entrar nesse “sistema”?

CarlosCarlos – Atualmente, eu busco espaços maiores na mídia pela visibilidade que eles geram e pelo retorno do público, que são essenciais.Todo mundo que faz uma arte quer que os outros assistam, ouçam, reflitam, interajam.

Na verdade já trabalhei em alguns lugares, já fui em reuniões e percebi que não é preciso muito tempo por lá pra sacar como as coisas funcionam. Mas eu não gostaria de entrar em qualquer lugar e não tenho a intenção de fazer nada que não corresponda às minhas crenças essenciais. Acredito que com a visibilidade que a grande mídia pode me proporcionar, posso buscar formas de fazer trabalhos mais independentes, na internet, por exemplo.

A minha maior meta é a transformação social, mais que tudo. Mas estou vivendo uma fase de busca de caminhos para ter certa base no lado financeiro da vida: preciso encontrar formas de ganhar dinheiro, mas que não firam as minhas crenças mais profundas. O artista verdadeiro sofre muito com isso no mundo mercantilista.

Estou com 29 anos, vou ser pai neste ano, e preciso ter uma certa segurança financeira para sustentar minha família. Não preciso de luxo, mas o básico. Mesmo agora continuo acreditando naquilo em que eu acreditava, cada vez mais. Esse é o maior exemplo que posso dar ao meu filho. É claro que para colocar o pão na mesa eu sempre terei os meus “planos B”, mas sinto que minha vida é a arte verdadeira, o rompimento em prol da transformação social.

Como ouvi uma vez, é como um penhasco, que uma hora você vai e se joga de cima, e não tem como olhar para trás. Não consigo e nem quero mais voltar.

CarlosCarlos inesperadamente pega um caderno em sua mesa, abre-o e inicia a narração dos trechos de um texto escrito por ele mesmo há um tempo:

Aqui nessa terra, se não gostar de dinheiro é doido.

Ouviu bem? Isso. Doido, doido varrido.

Sem contar a forca, instrumento moderno, no meu tempo usavam guilhotina. É o melhor para gente desse tipo. Gentalha pura.

Onde já se viu não gostar de dinheiro, de jóia, de requinte de glamour, de lipo.

Devemos valorizar a nossa auto-imagem, não vou tolerar a abordagem de estranhos. Não existe isso de incluído, excluído…

Universidade do Futebol – A mídia e o futebol são negócios? Qual o limite entre eles? Fale um pouco sobre o documentário que você produziu como trabalho de conclusão do curso de Rádio e TV, intitulado FutMídia S/A.

CarlosCarlos – O jeito que aconteceu aquele documentário foi muito maluco. Foi em 2005, era outro momento da minha vida, não estava tudo tão claro como agora, e calhou de fazer aquilo, por acaso. Até poderia ter preparado uma estratégia para arquitetar as entrevistas, mas não sou assim. As formas e direcionamentos foram acontecendo de forma espontânea, e os caminhos para o que viria a ser aquele documentário foram aparecendo ao longo das entrevistas.

Vários TCC’s e trabalhos acadêmicos têm e tiveram como tema os comentaristas esportivos, mas o grande diferencial do nosso foi abordar a relação do futebol com a mídia na era corporativa. Ouvir o que cada um daqueles jornalistas tinha a dizer com certeza foi muito esclarecedor para quem assistiu.

Praticamente não divulguei o documentário depois que terminou a faculdade: ficou na gaveta mesmo, e do nada, o Gustavo Miller, um jornalista do Estadão, achou no site da FizTV e colocou em destaque na página “TV & Lazer”, de domingo. O Juca Kfouri, que também era um dos entrevistados, assistiu e recomendou no blog dele. Aí bombou de acessos.

Quanto ao futebol e a mídia sendo cada vez mais guiados pela quantidade de dinheiro que geram, eu diria que hoje o mundo inteiro está dentro desse processo. E, claro, tanto futebol quanto mídia acabam sendo contaminados. Será esse um processo irreversível? Difícil saber. Mas eu, sinceramente, acredito que nós, jovens dessa geração, ainda vamos ver grandes mudanças, inclusive com a queda das grandes corporações. Eu só não sei como isso irá se desenrolar.

Há muito mistério nessa vida que a gente vive. Geralmente vivemos algo maior achando que é algo menor. Além disso, atualmente temos uma revolução digital que está em curso, e ela pode beneficiar a revolução humana para que a grana se torne cada vez menos importante, que não seja a prioridade, e sim a qualidade daquilo que está sendo passado para quem assiste.

Eu gostaria de ver a descentralização das grandes mídias convencionais para que cada vez mais qualquer pessoa tenha sua voz como algo importante para o nosso processo de vida no mundo. Mas infelizmente, quem domina a internet ainda são os grandes portais.

Universidade do Futebol – Você acredita que a internet é um veículo essencial, tanto para a realização dessas transformações que você defende, quanto em relação ao aprendizado do futebol?

CarlosCarlos – A internet pode ser um grande instrumento para essa difusão de ideias, como o videoblog que a gente montou. O que acho é que o povo ainda está muito programado para aquele pensamento Big Brother e noveleiro. Pode ver: na internet o que faz mais sucesso são os vídeos de sacanagem, besteirol e afins. É tudo herança da televisão que a gente tem no Brasil. Nessa época individualista, desde a nossa infância, o sentido de amor, de fraternidade, vai se deteriorando.

No fim do ano passado, dei uma oficina de produção de pilotos televisivos, no Ponto de Cultura de Cananéia, para os jovens desse local. Isso é revolução!

Os jovens produziram os seus pilotos com uma câmera emprestada de uma ONG, um microfone mulambento e ilhas de edição do próprio Ponto de Cultura, e saíram produtos muito melhores do que a gente vê na TV aberta. Ou seja, nós não temos a estrutura adequada, mas nosso conteúdo é muito melhor do que o dos ditos grandes veículos de comunicação. E sabe por quê? Porque é o puro, é a vida na tela, e não a vida maquiada na tela em detrimento do povo. O Boni, da Rede Globo, não é “o cara”. “O cara” é essa molecada de Cananéia e do Brasil inteiro.

Na oficina eu tento simplesmente apresentar a ferramenta e mostrar que, para se fazer produtos legais, trabalhos de qualidade, nós não precisamos seguir os velhos padrões caquéticos da dita TV comercial. A gente faz do jeito que a gente quer. Isso é revolução digital e humana. Mas infelizmente, quem detém a grana, a verba, está dentro de uma lógica comercial e elitista que impede o nosso crescimento humano – inclusive a TV dita “pública” no Brasil.

Universidade do Futebol – Não há um estereótipo, então, de que por estar na grande mídia, passa a ser algo mais rebuscado?

CarlosCarlos – Com certeza. Eu faço um programa no fundo da minha casa que muitas vezes é dito como “amador”. Mas não é. “O programa tem jeitão de amador, mas é profissional”, disse o Gustavo Miller, que esteve presente no Bola e Arte como convidado e resumiu em seu blog o que é o programa. Acredito que entendeu o espírito. Porque eu tenho que fazer todo um estilo para ser considerado profissional?

Na verdade, vejo muitas vantagens no dito amadorismo, que, aliás, virou sinônimo de trabalho ruim. Mas, sinceramente, o que eu quero é apenas desenvolver o meu trabalho de forma que eu esteja satisfeito com o produto final e principalmente com o tipo de mensagem que ele está passando a quem tem acesso a ele.

Outra coisa que tem de se começar a colocar em pauta são as raízes da produção oriunda da dita grande mídia. Seja na mídia, seja no futebol, demora-se muito tempo para efetuar uma mudança relevante. É tipo trabalho de formiga, porque quem faz a TV quer assim. Quem tem o poder na mão geralmente se acomoda, prefere garantir o seu do que lutar pelo nosso. É fácil? Não, mas eu garanto que vale a pena.

Hoje os conceitos do que é um programa bom ou ruim estão muito nebulosos. Existe fórmula para tudo. Na TV pública, o programa tem que ser “social”, mas o problema é que já existe uma fórmula para isso, o que emperra a livre criação.

Outra coisa é a dificuldade de adentrar os grandes veículos. Lá, eles já têm um esquema muito formado e não sei o quanto querem ideias novas de fato. Porque é aquilo, em todas as áreas da vida: existem aqueles que querem mudar realmente, e os que têm como trabalho fazer de conta que estão mudando – são como maquiadores passando “blush” na tela da televisão.

Desde que comecei a fazer o programa, se eu estivesse dentro de um padrão bem comportado, o chamado “politicamente correto”, acredito que eu já estaria dentro de um veículo maior de comunicação. Porque geralmente funciona assim: não importa de fato quem você é, mas você tem que desempenhar um papel, um personagem para entrar no mundo encantado da televisão. Mas o que deveria ser essa televisão, senão a própria vida como encontramos no dia-a-dia?

Tem gente que diz que não tem como mudar isso, mas se os grandes editores-chefes dos telejornais brasileiros ou diretores consagrados de novelas dessem um direcionamento ao respeito por quem os assiste, muitas coisas mudariam. Mas parece que a “cadeia alimentar” da TV não deixa isso acontecer.

Universidade do Futebol – Em relação às torcidas organizadas, você as vê como antros de violência, instituições com forte poder de transformação social, ou nem uma coisa nem outra?

CarlosCarlos – Sempre quando o povo se organiza para fazer algo, é interessante e tem de ser levado em conta. O poder que essas torcidas organizadas têm, entretanto, poderia ser melhor aproveitado. Não estou lá sempre, mas “antros de perdições” há também no camarote dos presidentes dos clubes de futebol. Mas já está provado que bater em pobre é sempre mais fácil do que bater em rico. É menos arriscado.

Eu acho que ainda as torcidas têm o conceito de povo contra povo, de inimigos. Gente que trabalha junto, é da mesma comunidade e torce por times diferentes, no dia do jogo vira inimiga. Isso é muito ruim. Tinha uma música do Planet Hemp, letra do Black Alien, que dizia: “Se você quer brigar, escolha o inimigo certo”.

Os lideres das organizadas têm que perceber o poder que eles têm nas mãos e não pensarem somente neles, mas no povo todo. Aquele antigo bordão: “o povo unido jamais será vencido” é muito real. Imagine o desenvolvimento de um trabalho de consciência política e social dentro das torcidas organizadas? A capacidade de influência delas é muito grande.

Mas essas opiniões da imprensa em relação às organizadas, de forma geral, considero absurdas. Como eu disse, bater em pobre é mais fácil, isso existe mesmo. Tem de se pontuar e falar dos bandidos em todas as camadas. Mas que essa cultura de violência existe, isso é fato. Chegou a hora de se tentar mudá-la e os líderes dessas torcidas passarem a ser caras que enxerguem coisas maiores e mexam nas estruturas.

Gritos de guerra politizados e união entre organizadas de times diferentes, apesar de o contexto não ser muito favorável, por conta da grande dormência e adaptação em que o povo se encontra atualmente, seriam muito interessantes.

Imagine se as pichações fossem com mensagens desse gênero – e falo com todo o respeito a esses grupos, já que fiz parte no passado – e não de um contra o outro. E o auge da segmentação do ser humano dentro da esfera futebolística é das torcidas do próprio time que brigam entre si.

Tivemos uma conversa no Bola e Arte de Santa Tereza, no Rio, e falamos sobre o movimento de algumas torcidas da paz espalhadas pelo Brasil que têm formas diferenciadas de acompanhar e torcer pelo seu time de coração. E eu tenho a ideia de, quem sabe um dia, criar uma, a Ghandi Santista. Espero que várias torcidas de outros clubes, e do próprio Santos, façam o mesmo.

Para debater o assunto, a sugestão do segundo bloco da edição do Bola e Arte gravado no bairro carioca: http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/24576/0

Universidade do Futebol – E como você enxerga esse fato de um muitas vezes não conseguir conviver com o outro, sendo necessárias medidas como as recentes nos clássicos paulistas – apenas 10% da carga de ingressos para o público visitante?

CarlosCarlos – Acredito que nesse caso o ponto não seja bem esse, ou seja, não é questão de segurança nos estádios. Eles não dão 10% dos ingressos para uma só torcida porque querem reduzir a violência, tanto que o que aconteceu foi o contrario. Mas o relevante atualmente é a briga das diretorias dos grandes clubes.

Os fatores importantes são três, interligados entre si, mas seguindo uma espécie de hierarquia: mídia, cartolas e torcidas. Primeiro, o embate entre esses dirigentes, o que incita a torcida a ficar mais inimiga uma da outra. Depois parte da imprensa, que aguça o sentimento de repulsa entre os próximos.

Olho por olho e o mundo acabará cego. Gandhi já dizia. Legal foi a atitude da direção do Palmeiras, que no jogo do Corinthians deixou as picuinhas de lado. E assim, quem saiu ganhando foi o torcedor. E quando é ao contrário, é ele quem acaba sofrendo as consequências.

Quanto a jogo de uma só torcida, efetivamente, não cabe na minha cabeça. Assistir a um jogo sem viver a magia de você, saudavelmente, zoar o adversário e também ser zoado, ao passar pelo momento de perda, ao seu time tomar um gol, para mim soa muito estranho.

Universidade do Futebol – Com o questionamento que serviria mais para iniciar, encerramos a entrevista: por que CarlosCarlos?

CarlosCarlos – Eu ouço essa pergunta quase todo dia (risos). E é o que eu sempre respondo: são mistérios que nem eu mesmo sei, são mistérios que acontecem naturalmente, e nem todas as respostas da vida são racionais, exatas e absolutas. Aí sempre me perguntam assim: “Mas o seu nome é escrito assim no RG?”. E eu respondo: “São mistérios que nem eu sei” (risos).





Enquete Bola e Arte: Você é a favor da paradinha nas cobranças de pênalti?

19 05 2009

Já está no ar a primeira enquete do VideoBlog Bola e Arte.

Queremos saber sua opinião: Você é a favor ou contra a paradinha nas cobranças de pênalti?

Acha que é bonito e favorece o espetáculo? Ou acha que é sacanagem com o goleiro? É só votar, e se quiser também pode lançar uma idéia nos comentários.

Para ajudar você a decidir, a gente coloca um vídeo de um gol de pênalti batido com paradinha. É nóis.